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Piso mínimo, CIOT e suspensão do RNTRC: as novidades da Lei nº 15.485/2026

Seguem as primeiras impressões sobre a recém-publicada Lei nº 15.485, que entrou em vigor em 6 de agosto de 2026, data da sua publicação. A lei altera profundamente as regras do setor de transporte rodoviário de cargas e traz um nível de rigor que exigirá revisão imediata dos procedimentos internos das associadas. A seguir, apresenta-se cada ponto, para alinhamento exato do que muda para o setor.

A lei tem caráter de reforma ao alterar simultaneamente quatro leis estruturantes: a Lei dos Pisos Mínimos, a Lei de Custeio da Previdência, a Lei do TRC e o Estatuto do Motorista. Trata-se, portanto, de um cerco regulatório integrado.

A norma começa definindo conceitos técnicos importantes, como o que é carga a granel pressurizada e os veículos de carga de pequeno porte (com capacidade útil acima de 500 kg e PBT de até 3.500 kg).

No centro da política de pisos, a ANTT ganhou respaldo para firmar parcerias com a Infra S.A. na elaboração das planilhas de custos, que agora devem obrigatoriamente seguir 11 vetores técnicos bem claros, abrangendo desde distâncias e eixos até tipos específicos de carga, como refrigeradas, reefer, tanques criogênicos e contêineres.

Um ponto que exige atenção cirúrgica é a regra de reajuste automático: se o preço do combustível ao consumidor final oscilar 5% para mais ou para menos, a ANTT tem o prazo exato de 3 dias úteis para publicar a nova tabela. Além disso, há atualizações ordinárias semestrais obrigatórias até 20 de janeiro e 20 de julho, usando o IPCA caso haja omissão do órgão. O descumprimento do piso deixou de ser apenas uma questão financeira comum e passou a gerar um dever legal de indenizar o transportador em até duas vezes o valor do piso da operação.

Merece destaque, para o dia a dia das associadas, a nova escala punitiva trazida pelos artigos 5º-A a 5º-F. A ANTT pode aplicar suspensão cautelar do RNTRC de 5 a 30 dias de forma preventiva, se houver risco concreto ou reiteração (mais de 4 autuações em 6 meses), excetuando o TAC contratado. Em caso de reincidência em 12 meses, a suspensão definitiva vai de 15 a 45 dias. Se houver contumácia — ou seja, duas suspensões definitivas em 24 meses —, a empresa sofre o cancelamento do RNTRC, ficando proibida de operar por até dois anos.

As sanções ainda podem ser estendidas a sócios e empresas do mesmo grupo em casos de fraude ou confusão patrimonial, e multas para reincidentes podem chegar a R$ 1 milhão. Vale destacar que plataformas digitais, aplicativos e intermediários de frete agora respondem solidariamente se publicarem ofertas abaixo do piso.

Ainda dentro desse pacote, o CIOT continua obrigatório e deve ser vinculado de forma integrada ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e). Para os TACs, a emissão passa obrigatoriamente por instituição de pagamento autorizada pelo Banco Central e habilitada pela ANTT. A falta de CIOT gera multa pesada de R$ 10.500, e o prazo limite para pagamento integral do frete é de 30 dias úteis. Para a antecipação de recebíveis, a lei tabelou o Custo Efetivo Total em no máximo 300% da taxa do CDI proporcional ao prazo, proibindo qualquer taxa abusiva que fira o piso mínimo.

Por fim, a administração pública passa a ter a diretriz de destinar até 30% de suas contratações de transporte para TACs credenciados, com emissão facilitada por Nota Fiscal Fácil (NFF).

Há também dois pontos fundamentais para a região: primeiro, a confirmação expressa de que a remuneração do TAC-agregado e do TAC-independente deve respeitar rigorosamente os pisos mínimos, salvo no transporte internacional; segundo, a autorização à ANTT para editar normas específicas de CIOT e prazos para as operações municipais e intermunicipais de movimentação de contêineres entre margens portuárias, terminais e regiões retroportuárias (p.ex. vira).

A lei também impõe um limite ético e jurídico para as empresas de gerenciamento de risco: fica estritamente proibido usar processos judiciais sem trânsito em julgado ou processos administrativos sem decisão definitiva como desculpa para bloquear ou impedir a contratação de um motorista, respeitando a LGPD. Ficam vedadas, assim, listas pretas baseadas em meras distribuições de ações.

Essa lei altera ainda o Estatuto do Motorista (Lei nº 13.103/2015), determinando que acordos e convenções coletivas fixem pisos salariais para motoristas em operações de longa distância — aqueles que ficam fora da base ou da residência por mais de 24 horas. Além disso, reformula o Procargas para apoiar renovação de frotas, pontos de parada e descanso (PPDs) em rodovias não concedidas, capacitação e inovação tecnológica.

Por fim, a lei traz importantes regras de transição, ponto nevrálgico para compreender como o setor deve proceder no curto prazo. As normas antigas continuam valendo no que não colidirem com a nova lei.

Ficou estabelecido um prazo razoável de adaptação não inferior a 60 dias para exigências que dependam de complexidade tecnológica, período em que a fiscalização de novas obrigações acessórias será primordialmente orientativa (com notificações para regularização), exceto em casos de fraude, dolo ou reincidência.

Requer atenção redobrada, porém, o fato de que as obrigações materiais — como pagar o piso mínimo de frete, quitar corretamente e cumprir normas fiscais e de trânsito — são de exigibilidade imediata. As penalidades mais severas de suspensão e cancelamento só valem para fatos novos, sem retroatividade para criar reincidência, e os contratos em andamento têm prazo de até 90 dias para serem adequados.

Recomenda-se que a revisão dos sistemas de emissão de frete seja realizada em confronto com a tabela da ANTT, com auditoria dos critérios de gerenciamento de risco e preparação dos aditivos contratuais dentro do prazo de 90 dias.

Fonte: Marco Fabrício Vieira, assessor jurídico do SINDISAN para assuntos de trânsito e transporte.

SEST SENAT reforça papel da qualificação em debate sobre liderança feminina na infraestrutura

A qualificação profissional, o fortalecimento da liderança feminina e a ampliação da presença das mulheres em áreas estratégicas estiveram no centro dos debates do Summit Mulheres nas Profissões, realizado nesta terça-feira (4), em São Paulo. Organizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, um dos maiores movimentos suprapartidários da sociedade civil, o evento reuniu especialistas, executivas e lideranças de diferentes segmentos para discutir caminhos para ampliar a diversidade e preparar profissionais para as transformações do mercado de trabalho.

Representando o SEST SENAT, a diretora executiva nacional, Nicole Goulart, foi uma das convidadas do painel “Construindo o Futuro: Carreira e Liderança para Mulheres que Atuam na Infraestrutura de Transporte e Logística”, que reuniu profissionais com atuação de destaque em diferentes áreas do setor para debater os desafios e as oportunidades de ampliar a participação feminina em posições estratégicas.

Durante o painel, Nicole apresentou iniciativas desenvolvidas pelo SEST SENAT para ampliar a participação das mulheres no transporte, como programas voltados exclusivamente ao público feminino nas ferrovias, ações de desenvolvimento de lideranças e cursos de capacitação para o segmento aéreo. Segundo ela, essas iniciativas contribuem para romper estereótipos e ampliar o conhecimento sobre as diversas oportunidades profissionais existentes na infraestrutura e na logística.

Nicole também chamou atenção para a importância de desenvolver competências alinhadas às transformações do mercado, como liderança, inovação e capacidade de tomada de decisão. “Precisamos desenvolver novas habilidades porque o mercado também depende delas. Muitas vezes, existe um conceito antecipado de que determinados espaços não pertencem às mulheres, quando, na verdade, falta apenas mostrar que essas oportunidades existem e podem ser ocupadas por elas”, afirmou.

Ao encerrar sua participação, a diretora ressaltou que a ampliação da presença feminina em cargos de liderança também depende do fortalecimento da cidadania e da participação social.

“Se queremos um setor mais forte e com mais mulheres ocupando espaços de decisão, precisamos valorizar o nosso poder de escolha, participar das discussões e conhecer as propostas para o país. A transformação da sociedade começa quando cada pessoa compreende que pode fazer parte dela”, concluiu.

Além de Nicole Goulart, o painel contou com a participação de Dalva Domingos, sócia da Express Transportes Urgentes e mediadora do debate; Rosilda Prates, especialista em relações institucionais e governamentais; e Verena Pagano, executiva com atuação nas áreas de infraestrutura e logística. As painelistas defenderam o fortalecimento das redes de apoio entre mulheres, o investimento na formação de novas lideranças e a adoção de iniciativas que ampliem a diversidade e a inclusão nos setores de infraestrutura, mobilidade e logística.

 

Fonte: Agência CNT Atual

Investimentos em infraestrutura seguem abaixo do necessário, aponta CNT

O crescimento da economia brasileira passa, necessariamente, pela capacidade de o país tornar sua logística mais eficiente. No Brasil, reduzir custos de transporte, integrar as diferentes modalidades e garantir investimentos em infraestrutura significa aumentar a produtividade das empresas. Essa visão permeia os documentos O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País e o Plano CNT de Transporte e Logística 2026.

O Plano CNT aponta a necessidade de R$ 2,03 trilhões em investimentos para viabilizar 2.837 projetos com foco em integração nacional e de mobilidade urbana. Essa necessidade de investimentos equivale a 16% do PIB em 2025. Apesar disso, os investimentos federais em infraestrutura de transporte corresponderam, em média, a apenas 0,15% do PIB ao ano, entre 2015 e 2025. No ano passado, os aportes somaram R$ 16,67 bilhões, o equivalente a somente 0,13% do PIB, reforçando a urgência de se recompor o orçamento público federal e dos governos estaduais e municipais, e ampliar as fontes de financiamento, com ênfase na iniciativa privada.

Hoje, o transporte rodoviário responde por 65,8% da movimentação de cargas no Brasil, percentual superior ao observado em economias de dimensões semelhantes, como Estados Unidos (43%), China (35%) e Austrália (27%). Para a Confederação, esse percentual evidencia a necessidade de ampliar a integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, tornando a matriz de transporte mais equilibrada.

Nesse cenário, a CNT defende o direcionamento dos recursos obtidos pela União por meio de outorgas onerosas de serviços e infraestrutura de transporte para reinvestimento no próprio setor (aprovação da PEC da Infraestrutura). Além disso, a Confederação também propõe a aplicação de parte dos recursos oriundos da Cide-combustíveis para investimentos públicos federais em infraestrutura de transporte e o veto ao contingenciamento de recursos já autorizados pelo OGU (Orçamento-Geral da União).

Para a ampliação dos investimentos privados, a entidade considera imprescindível o fortalecimento do mercado de capitais, das concessões e das PPPs (parcerias público-privadas), aliado à segurança jurídica e à estabilidade regulatória. Em 2025, as emissões de debêntures incentivadas alcançaram R$ 177,97 bilhões. Desse total, R$ 62,12 bilhões foram destinados ao setor de transporte e logística, demonstrando o protagonismo da infraestrutura de transporte na atração de investimentos privados e o potencial desses instrumentos para financiar projetos estruturantes. A entidade ressalta que previsibilidade regulatória, segurança dos contratos e continuidade das políticas públicas são fatores condicionantes para ampliar os investimentos de longo prazo.

 

Planejamento de longo prazo

Os investimentos em infraestrutura também produzem efeitos que vão além das obras. Estudo da CNT mostra que cada R$ 1 investido pela iniciativa privada em rodovias pode gerar até R$ 4,77 no PIB do setor de transporte em até nove meses, enquanto o mesmo valor aplicado pelo poder público pode gerar até R$ 4,64 em um horizonte de até 18 meses. Os resultados demonstram o efeito multiplicador dos investimentos sobre a atividade econômica.

“Os países que mais crescem são aqueles que conseguem transformar infraestrutura em política de Estado. O Brasil precisa garantir planejamento de longo prazo, segurança jurídica e previsibilidade para investir, integrar as diferentes modalidades e criar um ambiente favorável ao capital privado. O transporte movimenta toda a economia e deve estar no centro da estratégia nacional de desenvolvimento”, afirma o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.

Os estudos da CNT mostram, ainda, que o fortalecimento da infraestrutura amplia diretamente a capacidade produtiva do país. Apenas em 2025, foram movimentadas mais de 1,07 bilhão de toneladas em rodovias, sendo que 75% desse volume foi realizado pelas empresas do transporte rodoviário de cargas. Nas ferrovias, foram movimentadas mais de 554,5 milhões de toneladas úteis; nos portos, mais de 1,4 bilhão de toneladas de mercadorias (exportações e importações).

Além dos investimentos em obras físicas de infraestrutura de transporte, o setor possui outras demandas por investimentos e financiamentos para a melhoria da operação, ganhos de eficiência e ampliação da segurança. Essas demandas incluem a criação e a ampliação de linhas de crédito voltadas à renovação de frotas de caminhões, ônibus, navios, equipamentos de apoio à navegação, locomotivas e material rodante, e aeronaves; à modernização de polos logísticos e à melhoria da conectividade nas vias. O papel de instituições financeiras públicas, especialmente bancos de desenvolvimento, é estratégico tanto na estruturação quanto no financiamento desses projetos.

Para a Confederação Nacional do Transporte, ampliar essa capacidade por meio de investimentos significa reduzir custos para toda a cadeia produtiva, fortalecendo a competitividade das empresas brasileiras. Assim, criam-se as condições para um ciclo sustentável de crescimento econômico e geração de empregos.

 

Fonte: Agência CNT Transporte Atua

Empresários criticam traçado proposto para acesso ao Porto de Santos pela terceira pista da Rodovia dos Imigrantes

Os empresários da Alemoa, em Santos, são contra o Corredor Porto-Indústria (Copi), proposto pela Prefeitura de Cubatão e atualmente em análise pelos governos Estadual e Federal. O motivo é que o traçado desemboca no bairro, na Avenida Albert Schweitzer, depois de partir da região do Sítio dos Areais, em Cubatão — onde termina a futura terceira pista da Rodovia dos Imigrantes. O Copi não passaria pelas rodovias Anchieta e Cônego Domenico Rangoni. Com cerca de 13,5 quilômetros de extensão prevê duas faixas de rolamento por sentido, dimensionadas para tráfego de caminhões.

“Estamos próximos de conseguir o túnel Santos-Guarujá, o viaduto da Anchieta, no Saboó, e a terceira pista da Imigrantes. Aí surgem ideias como esse corredor logístico, entre outras, que acabam desviando o foco do que realmente é prioridade. No final, ficamos sem nada, até sem manutenções preventivas do que já dispomos”, afirma o presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial e Portuário da Alemoa (AMA), João Maria Menano.

O empresário pontua que a Alemoa está totalmente ocupada. “Receber ainda um corredor de cargas – que não têm origem e destino no bairro – não tem sentido”, explica.

Inviável

A presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), Rose Fassina, considera inviável o Copi da forma como está previsto.

“O problema é o próprio traçado: direcionar um corredor com capacidade para até 20 mil veículos por dia para desembocar na Avenida Albert Schweitzer é tecnicamente incompatível com a realidade da via. Essa avenida é um dos pontos mais críticos da malha viária da Alemoa. Não há como absorver esse volume adicional de tráfego numa via que já é estreita para a demanda atual”, diz.

Rose soma a isso o fato de que a Alemoa, nos últimos anos, possui projetos de expansão previstos pela Autoridade Portuária de Santos (APS), além da possível ampliação de um Terminal de Uso Privado (TUP) e de novos berços públicos para granéis líquidos.

“É uma área que já concentra múltiplos interesses e projetos concorrendo pelo mesmo espaço físico e pela mesma infraestrutura viária limitada. Qualquer novo corredor precisa ser pensado em conjunto com esse cenário. Como está proposto, o projeto resolve um gargalo em Cubatão criando outro, maior, na Alemoa. É uma transferência de problema”, afirma.

A dirigente do Sindisan defende que o projeto seja revisto antes de avançar. “Para as indústrias e terminais instalados na Alemoa, isso significa mais atraso operacional, mais custo logístico e mais insegurança viária, os mesmos problemas que a região já enfrenta hoje, potencializados”, afirma. “O bairro da Alemoa opera, hoje, no limite da infraestrutura para a qual foi originalmente projetado”, sentencia.

O secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo de Cubatão, Fabrício Lopes, minimizou a questão do traçado do Corredor Porto-Indústria (Copi), justificando que “possui caráter conceitual e ainda demanda avaliações técnicas mais aprofundadas para análise da viabilidade sob os aspectos de engenharia, mobilidade, logística, meio ambiente e modelagem institucional” e que é uma “referência inicial para subsidiar os estudos que deverão apontar a solução mais adequada para a região”.

“Essas avaliações, inclusive, já foram objeto de solicitação formal tanto ao Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), quanto ao Governo Federal, por intermédio do Ministério dos Transportes, considerando que se trata de um empreendimento de interesse regional, cuja implantação extrapola as competências e a capacidade de execução exclusiva do Município de Cubatão”, lembra.

Lopes acrescentou que, por esse motivo, todas as etapas futuras serão conduzidas com absoluta transparência e diálogo institucional. “À medida que o projeto evoluir tecnicamente, os estudos serão compartilhados e debatidos com os órgãos públicos competentes, a Autoridade Portuária de Santos (APS), concessionárias, entidades representativas e o setor produtivo, permitindo que as contribuições apresentadas sejam analisadas e, quando pertinentes, incorporadas ao seu desenvolvimento”, afirma.

Diálogo

O secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo de Cubatão, Fabrício Lopes, disse que, em 4 de março, realizou uma reunião com a Associação das Empresas do Distrito Industrial e Portuário da Alemoa (AMA), o Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan) e a Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC) para mostrar o projeto. O secretário não esclareceu, porém, o motivo pelo qual a Prefeitura de Santos não participou das discussões técnicas sobre o Copi.

 

Fonte: A Tribuna

Rodovias Anchieta e Imigrantes terão interdições por uma semana; veja trechos e horários

Quem pretende utilizar as rodovias do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) na próxima semana encontrará uma série de bloqueios e interdições.

Entre a próxima segunda-feira (3/8) e domingo (9/8), a Ecovias Imigrantes, concessionária responsável pela via, fará obras de manutenção que irão alterar também as operações subida e descida da serra.

As interdições ocorrerão em diferentes datas e horários, principalmente no período da noite, e vão alterar o tráfego entre a via Anchieta (SP-150) e a rodovia dos Imigrantes (SP-160). Em um dos dias, também haverá bloqueio durante a manhã.

Segundo a Ecovias, os bloqueios são necessários para a realização de obras de conservação e manutenção da infraestrutura viária. Durante os serviços, o tráfego será desviado para as pistas que permanecerem abertas.

Confira o cronograma de bloqueios

Segunda e quinta-feira (3 e 6/8)
A partir das 23h30, a pista Sul da Anchieta, será bloqueada para obras no trecho de serra.

Durante esse período:

A descida para o litoral será feita pela pista Norte da Anchieta e pela pista Sul da Imigrantes;
A subida para São Paulo ocorrerá pela pista Norte da Imigrantes.

Terça e quarta-feira (4 e 5/8)
Também a partir das 23h30, serão bloqueadas as pistas Sul da Via Anchieta e da rodovia dos Imigrantes no trecho de serra.

 

Fonte: Gazeta d S. Paulo

Adeus às filas no pedágio: free flow promete mudar acesso de cargas ao Porto de Santos

A implantação do sistema de pedágio eletrônico free flow no sistema Anchieta-Imigrantes, prevista para entrar em operação em 1º de agosto, deve alterar a dinâmica de um dos corredores logísticos mais importantes do país. A tecnologia substituirá as atuais praças de cobrança por pórticos eletrônicos e promete eliminar as paradas obrigatórias no principal acesso rodoviário ao Porto de Santos.

Para o transporte de cargas, especialmente de veículos zero-quilômetro, a mudança pode representar ganhos operacionais com redução de filas, menor tempo de viagem e maior previsibilidade no cumprimento dos horários de entrega. O corredor entre São Paulo e a Baixada Santista é utilizado diariamente por uma ampla variedade de operações logísticas ligadas ao maior porto do país.

Os novos pórticos farão a identificação automática dos veículos em movimento. A cobrança para automóveis será realizada na descida e na subida da serra. No caso dos caminhões, o cálculo continuará considerando a quantidade de eixos apoiados no pavimento, mantendo a possibilidade de redução do valor pago pelos veículos que retornam vazios.

Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade que representa mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero-quilômetro, o principal impacto do novo modelo está na eliminação de um gargalo histórico da operação.

“Quem trabalha com logística sabe que o problema nunca foi apenas o valor do pedágio, mas o tempo perdido para atravessá-lo. Cada fila interrompe o ritmo da viagem, aumenta o consumo de combustível e dificulta o cumprimento dos horários programados de entrega”, afirma o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva, conhecido como Boizinho.

Segundo ele, a retirada das praças físicas pode melhorar o planejamento das operações e reduzir custos ao longo da cadeia de transporte.

“Quando essa parada deixa de existir, a operação ganha previsibilidade, melhora o planejamento das viagens e reduz custos ao longo de toda a cadeia do transporte de veículos”, diz.

Novo modelo exige adaptação dos transportadores

Além de eliminar as interrupções nas praças de pedágio, o sistema free flow muda a relação entre usuários e concessionárias. Motoristas que utilizam tags eletrônicas continuarão com o pagamento automático. Já aqueles sem dispositivo precisarão consultar os débitos em uma plataforma do Governo de São Paulo e realizar o pagamento dentro do prazo estabelecido.

A mudança também amplia o uso de tecnologia na fiscalização. Os pórticos passarão a integrar o programa Muralha Paulista, com compartilhamento de informações com a Polícia Militar Rodoviária para reforçar o monitoramento das rodovias.

Para o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, a implantação do sistema representa uma mudança operacional que exigirá adaptação dos profissionais que trabalham nas estradas.

“O motorista deixa de interagir com a praça de pedágio e passa a administrar uma viagem conectada. A tecnologia precisa simplificar a rotina de quem vive na estrada. Se o acesso às informações de cobrança for rápido e transparente, os benefícios aparecerão naturalmente na operação”, afirma.

A expectativa do setor de transporte é que a nova tecnologia contribua para tornar o corredor Anchieta-Imigrantes mais eficiente, reduzindo interrupções em uma rota estratégica para o abastecimento do mercado interno e para o escoamento de cargas pelo Porto de Santos.

Com a adoção do free flow, o sistema passa a acompanhar uma tendência já adotada em outros países, na qual a cobrança deixa de depender de paradas físicas e passa a ser integrada ao fluxo normal dos veículos.

 

Fonte: Agência Transporte Moderno

Escassez de caminhoneiros pode elevar fretes e pressionar logística

A falta de caminhoneiros no Brasil pode se tornar um dos principais gargalos da logística nacional nos próximos anos. Em um país onde cerca de 65% das cargas são transportadas por rodovias, a redução da mão de obra ameaça elevar o custo do frete, aumentar os prazos de entrega e limitar a capacidade de atendimento em períodos de maior demanda, como safras agrícolas e datas de forte consumo.

Levantamento feito pela CNN, com base nos dados do Ministério dos Transportes, mostra que o número de caminhoneiros em atividade caiu quase 20% nos últimos dez anos. Dos 27 estados brasileiros, 19 registraram retração no período.

A redução foi mais intensa nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto estados do Norte e Nordeste, como Tocantins e Pará, apresentaram crescimento no número de profissionais.

Representantes do setor afirmam que a escassez é resultado de um conjunto de fatores: envelhecimento da categoria, falta de renovação geracional, insegurança nas estradas, longos períodos longe da família e remuneração considerada incompatível com as dificuldades da profissão.

Além disso, a ausência de perspectivas de crescimento profissional e salarial e a complexidade e alto custo para a obtenção da carteira de motorista também foram apontados como entraves para a profissão.

Segundo a pesquisadora do Observatório do TCU da FGV Direito SP e advogada associada do escritório Piquet, Malgadi e Guedes Advogados, Mariana Carvalho, essa situação não é exclusiva do Brasil, mas ganha contornos mais graves devido à forte dependência do transporte rodoviário.

“Temos uma matriz extremamente concentrada nas rodovias e, ao mesmo tempo, menos jovens ingressando na profissão. Isso pode trazer impactos para o custo do frete, atrasos e redução da capacidade operacional”, afirmou.

 

Faltam 250 mil caminhoneiros

A CNT (Confederação Nacional do Transporte) estima um déficit de cerca de 250 mil motoristas no país. O presidente da entidade, Vander Costa, apontou que além dos motivos já mencionados, o setor enfrenta ainda a perda de profissionais para outros países, especialmente Portugal, onde o pagamento em euro se tornou um atrativo para motoristas brasileiros.

Com o intuito de diminuir os impactos da redução de mão de obra, transportadoras têm ampliado a capacidade dos caminhões, permitindo assim levar a mesma quantidade de carga mesmo com menos profissionais.

Vander Costa, afirmou que, além dessa medida, a entidade adotou programas de qualificação e apoio à obtenção das categorias D e E da CNH. Disse ainda que desde as mudanças nas regras para a emissão da carteira de motorista o custo para qualificar esses profissionais baixou.

Além disso, o presidente destacou premiações para caminhoneiros da ativa e contratação de venezuelanos que vieram para o Brasil como uma forma de incentivo e atração de novos profissionais.

 

Profissões alternativas

Outro desafio é a concorrência com outras ocupações. Segundo o assessor técnico da NTC&Logística, Lauro Valdivia, muitos motoristas têm migrado para atividades como transporte por aplicativo e construção civil, em busca de melhores condições de trabalho e maior proximidade da família.

Ele apontou ainda que a dificuldade para obter a habilitação necessária – categorias D e E -, o tempo necessário disposto para conseguir a carteira e o alto custo da CNH são fatores de desânimo para novos profissionais.

Nesse sentido, o presidente da Associação Catarinense dos Transportadores Rodoviários de Cargas, Janderson Maçaneiro, conhecido como Patrola, também falou sobre o aumento no leque das opções de profissões para os caminhoneiros.

Inclusive, apontou que um dos motivos pelos quais a perda de profissionais aconteceu majoritariamente no Sul e Sudeste pode ter relação justamente com a oferta de empregos de fácil entrada nos aplicativos de carona.

 

Gerenciamento de risco

No entanto, Patrola, disse que o gerenciamento de risco adotado por seguradoras é o principal fator de dificuldade para a entrada e permanência dos profissionais na atividade. Segundo ele, restrições como a impossibilidade de levar familiares ou aprendizes nas viagens afastam os motoristas e impedem a formação de uma nova geração de profissionais.

Esse sistema, segundo Patrola, também impede a contratação de motoristas que possuam registros negativos ou processos judiciais, mesmo quando sem relação com a atividade profissional.

 

Fonte: CNN Brasil

CNT apresenta ao vice-presidente Geraldo Alckmin demandas do transporte sobre a MP do Piso Mínimo do Frete

O diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, participou, na quarta-feira (22), em Brasília, de audiência com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para tratar dos impactos da Medida Provisória nº 1.343/2026 sobre o transporte rodoviário de cargas. Promovido pela NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística), o encontro levou à Vice-Presidência as principais preocupações do setor e reforçou a importância da participação das entidades representativas nas decisões que afetam a atividade transportadora em todo o país.

A agenda ocorre após a aprovação, pelo Senado Federal, do Projeto de Lei de Conversão nº 6/2026. A CNT atuou ao longo da tramitação da medida provisória no Congresso Nacional e apoiou o acordo aprovado pelos parlamentares. Na avaliação da Confederação, as alterações promovidas pelos senadores representaram avanços em relação ao texto aprovado pela Câmara dos Deputados, especialmente pela retirada do piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas profissionais de longa distância, preservando a negociação entre empregadores e trabalhadores por meio de acordos e convenções coletivas.

Desde o início da tramitação da MP nº 1.343/2026, a CNT apresentou contribuições técnicas voltadas ao fortalecimento da segurança jurídica, da previsibilidade regulatória e da competitividade das empresas. Na avaliação da Confederação, a participação do setor na formulação de normas que interferem diretamente nas operações é fundamental para evitar distorções e garantir que as medidas considerem a realidade econômica do transporte rodoviário de cargas.

Com a conclusão da tramitação no Congresso Nacional, a matéria segue para avaliação do Poder Executivo, que poderá sancionar ou vetar dispositivos do texto aprovado. Nesse contexto, a reunião com Geraldo Alckmin amplia o diálogo do transporte com o governo federal em uma etapa estratégica para a definição do texto final.

“A CNT segue acompanhando a matéria e defendendo um ambiente regulatório que concilie segurança jurídica, equilíbrio nas relações do setor e condições para a competitividade e a sustentabilidade das empresas transportadoras”, ressaltou Valter Souza.

Participaram do encontro o presidente da Fenatac (Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística) e do Conselho Regional do SEST SENAT no Centro-Oeste, Paulo Afonso Lustosa; a assessora de Relações Institucionais da NTC&Logística, Edmara Claudino; e o assessor da Fenatac, Bruno Lustosa.

 

Fonte: Agência CNT Transporte Atual

Governo de São Paulo adia início da operação do pedágio free-flow nas rodovias Anchieta e Imigrantes

O governo do Estado de São Paulo adiou o início da cobrança do pedágio “free-flow” nas rodovias Anchieta e Imigrantes.

A cobrança eletrônica do pedágio estava prevista para começar em 1º de agosto. A nova data ainda não foi divulgada.

Até a entrada em operação do novo sistema, permanece a cobrança atual de R$ 40,60 nas praças existentes da Anchieta (Riacho Grande, km 31) e Imigrantes (Piratininga, km 32).

O valor cobrado faz do pedágio das rodovias que ligam a capital ao litoral paulista no mais caro do Brasil.

 

Críticas ao pedágio free-flow e reposicionamento dos pórticos

O governador Tarcísio de Freitas concordou em redefinir os locais das praças onde a cobrança será feita depois de críticas de moradores de um bairro de São Bernardo do Campo sobre o planejamento inicial.

O pórtico da Rodovia dos Imigrantes no sentido norte será reposicionado para a região do quilômetro 38, enquanto o pórtico do sentido sul permanecerá na altura do quilômetro 29. Já o equipamento da Anchieta será mantido no quilômetro 33.

De acordo com o governo paulista, a decisão foi tomada após diálogo e avaliações técnicas realizadas durante a implantação do sistema.

O reposicionamento permitirá “preservar os deslocamentos locais e ampliar a justiça tarifária, um dos objetivos do programa Siga Fácil”, como é chamado o sistema de cobrança free-flow, afirma o Palácio dos Bandeirantes.

 

Nova data ainda em aberto

O reposicionamento das praças de pedágio será realizado antes da entrada em operação do sistema de cobrança eletrônico.

Por isso foi necessário reprogramar a data de início do funcionamento do free-flow no sistema Anchieta-Imigrantes.

O governo paulista informou que a nova data será divulgada após a conclusão de procedimentos técnicos e administrativos.

Até o início, o sistema continuará funcionando como é hoje: com cobrança de R$ 40,60 apenas no sentido litoral.

Quando o free-flow começar a operar, o valor será dividido entre a descida e a subida da serra. Assim, o motorista vai pagar R$ 20,30 na ida e R$ 20,30 na volta.

 

Como funciona o free-flow

O free-flow permite que os veículos passem pelo pedágio sem parar na cabine ou reduzir a velocidade.

Toda vez que um veículo passar pelos pórticos eletrônicos, as câmeras vão fazer as leituras das placas dianteiras e traseiras dos veículos em todas as faixas da rodovia, inclusive de automóveis que estão em alta velocidade, em uma situação de neblina ou em casos de tráfego intenso.

As praças atuais do sistema Anchieta-Imigrantes, com cabines, serão desativadas e demolidas no decorrer dos próximos meses.

 

Fonte: Money Times