ANTT realiza pesquisa para atualizar os custos da tabela de piso mínimo do frete

Todos os dias, quem vive a rotina das estradas sabe que os custos para manter um caminhão em operação mudam constantemente. Combustível, pneus, manutenção, mão de obra, alimentação e pernoites são despesas que impactam diretamente a atividade do transporte rodoviário de cargas.

Para reunir informações atualizadas sobre essa realidade, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realiza, até o dia 21 de agosto, a Pesquisa de Custos do Transporte Rodoviário de Cargas.

Os dados coletados subsidiam os estudos utilizados pela ANTT para aperfeiçoar a metodologia de cálculo da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

Todos os dados informados são protegidos e utilizados exclusivamente para fins estatísticos e estudos técnicos.

 

Quem pode participar?

  • Transportador Autônomo de Cargas (TAC);
  • Transportador Autônomo de Cargas Agregado (TAC Agregado);
  • Empresa de Transporte Rodoviário de Cargas (ETC);
  • Cooperativa de Transporte Rodoviário de Cargas (CTC).

 

Quais dados serão solicitados?

Durante o preenchimento do formulário, serão solicitadas informações como:

Informações da operação: Tipo de carga transportada; Capacidade de carga do veículo; modalidade de negociação; custos operacionais; manutenção; pneus e recapagem; alimentação e estadia; lavagem; seguros.

Perfil do transportador, categoria (TAC, ETC ou CTC); unidade da Federação (UF); tamanho da frota (veículos de tração).

Características do veículo, tipo e ano do veículo; quantidade de eixos; tipo de combustível; rendimento médio; valor de mercado; quantidade de horas trabalhadas, dias de operação, viagens realizadas e quilômetros percorridos.

 

Participe da pesquisa

A participação é simples. Basta acessar o formulário, responder às perguntas e contribuir com informações que ajudarão a aperfeiçoar os estudos técnicos da ANTT e a metodologia de cálculo dos pisos mínimos de frete.

 

Formulário de participação:

Pesquisa ANTT – Custos do Transporte de Cargas (2026)

 

Fonte: Blog do Caminhoneiro

Porto de Santos quer reduzir dependência dos caminhões

O crescimento da movimentação de cargas no Porto de Santos (SP) volta a colocar em evidência um dos principais gargalos da logística brasileira: a forte dependência do transporte rodoviário. Responsável por cerca de 30% da corrente de comércio exterior do país, o complexo movimentou 186,4 milhões de toneladas em 2025, alta de 3,6% em relação ao ano anterior, mas ainda concentra a maior parte de seus acessos por caminhões.

Segundo Felipe Fray, gerente de Controle de Acessos Logísticos da Autoridade Portuária de Santos (APS), aproximadamente 2,8 milhões de veículos pesados circulam anualmente pelo porto. Durante apresentação no Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas e Colégio de Inspetores 2026, promovido pelo Crea-SP, o executivo afirmou que a ampliação da participação ferroviária é uma das principais estratégias para sustentar o crescimento das operações.

Atualmente, cerca de 36% das cargas movimentadas no Porto de Santos utilizam a ferrovia. A expectativa da APS é ampliar essa participação nos próximos anos. “O transporte rodoviário também vai crescer, mas em ritmo menor que o ferroviário”, afirmou Fray.

Segundo o gerente, o elevado fluxo de caminhões aumenta os custos de manutenção da infraestrutura viária, intensifica os congestionamentos e reduz a eficiência dos acessos ao porto. “O caminhão é muito mais prejudicial para um pavimento do que um veículo de passeio”, observou.

 

Tecnologia e integração logística

Além da expansão ferroviária, a APS aposta em soluções tecnológicas para ampliar a capacidade operacional do porto. Entre as iniciativas estão simulações computacionais para validar projetos de navegação antes da implantação e a integração dos centros de controle dos acessos terrestres e marítimos por meio de sistemas inteligentes de monitoramento e gerenciamento de tráfego.

A autoridade portuária também estuda ampliar a capacidade da Ferrovia Interna do Porto de Santos (FIPS) e incentivar o uso de dutovias para o transporte de granéis líquidos, modal considerado mais eficiente para esse tipo de carga. Segundo Fray, essas alternativas podem reduzir a pressão sobre o sistema rodoviário, embora ainda dependam de avanços regulatórios, ambientais e de novos investimentos.

O Porto de Santos recebe, em média, 5.772 navios por ano e concentra operações de longo curso, principalmente com mercados asiáticos, o que amplia a complexidade da coordenação entre os modais terrestre e marítimo, e reforça a necessidade de investimentos para acompanhar o crescimento da demanda.

 

Fonte: NTC&Logística

Brasil precisa de R$ 2 trilhões para destravar transportes

O Brasil precisaria investir R$ 2,03 trilhões em infraestrutura de transporte para executar 2.837 projetos considerados estratégicos para a integração logística e a mobilidade urbana. O montante equivale a cerca de 16% do PIB de 2025 e evidencia a distância entre as necessidades do país e os recursos efetivamente destinados ao setor.

O diagnóstico faz parte do Plano CNT de Transporte e Logística 2026 e da publicação O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País, divulgados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Entre 2015 e 2025, os investimentos federais em infraestrutura de transporte corresponderam, em média, a apenas 0,15% do PIB por ano. Em 2025, foram aplicados R$ 16,67 bilhões, ou 0,13% do PIB.

A diferença reforça, segundo a entidade, a necessidade de combinar aumento dos investimentos públicos com maior participação do capital privado e novas fontes de financiamento.

 

Rodovias ainda concentram 65,8% das cargas

Outro desafio apontado pela CNT é o desequilíbrio da matriz brasileira. As rodovias respondem por 65,8% da movimentação de cargas, participação superior à registrada em países continentais utilizados pela entidade como comparação, como Estados Unidos, com 43%; China, 35%; e Austrália, 27%.

A CNT defende maior integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos para reduzir custos logísticos e aumentar a produtividade. A dimensão dos fluxos ajuda a mostrar o desafio. Somente em 2025, mais de 1,07 bilhão de toneladas foram movimentadas por rodovias, sendo 75% pelas empresas de transporte rodoviário de cargas. As ferrovias transportaram 554,5 milhões de toneladas úteis, enquanto os portos movimentaram mais de 1,4 bilhão de toneladas.

 

Capital privado ganha espaço

Diante das restrições orçamentárias do poder público, o financiamento privado já ganhou peso relevante. As emissões de debêntures incentivadas alcançaram R$ 177,97 bilhões em 2025, dos quais R$ 62,12 bilhões, ou 34,9%, foram destinados a transporte e logística, segundo os dados apresentados pela CNT.

A entidade defende o fortalecimento das concessões, das parcerias público-privadas (PPPs) e do mercado de capitais, acompanhado de maior segurança jurídica e estabilidade regulatória.

Entre as propostas estão ainda destinar ao próprio setor recursos arrecadados pela União com outorgas de infraestrutura de transporte, ampliar o uso da Cide-Combustíveis em investimentos e impedir o contingenciamento de recursos autorizados no Orçamento da União.

“Os países que mais crescem são aqueles que conseguem transformar infraestrutura em política de Estado. O Brasil precisa garantir planejamento de longo prazo, segurança jurídica e previsibilidade para investir”, afirma Vander Costa, presidente do Sistema Transporte.

 

Impacto na atividade econômica

A CNT também calcula que cada R$ 1 investido pela iniciativa privada em rodovias pode acrescentar até R$ 4,77 ao PIB do setor de transporte, com efeitos em até nove meses. No investimento público, o impacto estimado chega a R$ 4,64, em até 18 meses.

Além das obras, a entidade aponta necessidade de financiamento para renovação das frotas de caminhões, ônibus, navios, locomotivas, material rodante e aeronaves, além da modernização de polos logísticos e da melhoria da conectividade das vias.

Para a CNT, reduzir o déficit de infraestrutura dependerá, portanto, não apenas de ampliar os recursos disponíveis, mas de garantir planejamento de longo prazo, integração entre os modais e condições para aumentar a participação privada nos investimentos.

 

Fonte: Agência Transporte Moderno

Plano Nacional de Logística prevê R$ 1,2 trilhão em investimentos

Os recursos deverão ser direcionados à manutenção de corredores estratégicos, à ampliação da capacidade de estruturas existentes e à implantação de novos empreendimentos.

O documento definiu 112 objetivos prioritários voltados à solução de gargalos atuais, ao atendimento de demandas futuras e ao desenvolvimento regional. Para isso, estabeleceu 31 eixos prioritários de transporte: 12 rodoviários, oito ferroviários, quatro aquaviários e sete intermodais.

Entre as ações previstas estão a expansão de corredores ferroviários e rodoviários, a consolidação de hidrovias e a ampliação da infraestrutura portuária.

 

Mudanças

Durante a cerimônia de lançamento do PNL em Brasília, o ministro dos Transportes, George Santoro, destacou que o plano vai organizar “projetos, sonhos, vidas e iniciativas” que ajudarão a estruturar o futuro do Brasil e da América Latina.

“Por muito tempo, o Brasil escolheu obras e, depois, procurou uma estratégia para justificá-las. No PNL 2050, fizemos o contrário. Primeiro definimos que Brasil queremos construir. Depois, quais problemas precisamos resolver. Só então passamos a discutir quais investimentos fazem sentido”, discursou o ministro.

Segundo ele, esta não é uma mudança simples de se fazer porque, na verdade, é uma mudança de cultura. “E cultura é um processo que não será transformado por um único plano. O que esperamos é construir essa mudança ao longo do tempo e consolidar esse novo processo de planejamento”, complementou.

 

Cabotagem

Entre as novidades apresentadas nesta edição do PNL, o ministro destacou a inclusão da cabotagem (navegação entre portos de um mesmo país). “O Brasil precisa voltar a olhar a cabotagem com seriedade. Esta foi uma evolução muito grande”, disse.

“Ainda não colocamos a questão do transporte aéreo de cargas. Temos de evoluir nisso”, complementou.

Também presente na cerimônia, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, disse que o Brasil tem avançado em sua capacidade de infraestrutura, após grande ciclo de investimentos públicos e, sobretudo, privados.

“A parceria com o setor privado trouxe resultados positivos, tanto no sentido da capacidade que foi instalada no país quanto, especialmente, no sentido da eficiência que alcançamos, elevando os patamares de desempenho, sobretudo nos setores de portos e aeroportos”, disse.

 

Modais

Segundo ele, o grande desafio que o PNL traz como resposta é o de integrar os modais de transporte. “Os modais não são isolados. Precisam dialogar entre si. O porto é o nó desses caminhos. Mas ele não vive sem acessos rodoviários, ferroviários e hidroviários”.

“Entendo que a rodovia não é o melhor caminho para a expansão que precisamos. Portanto, precisamos avançar nas políticas de escoamento por meio do transporte ferroviário”, acrescentou.

“E não dá para começar uma ferrovia sem ser pelo porto”, complementou o ministro George Santoro.

Para o presidente da Infra (empresa pública federal criada para planejar, estruturar projetos e desenvolver engenharia e inovação no setor de transportes do país), Jorge Bastos, o PNL precisa, acima de tudo, “ter credibilidade, de forma a perpassar governos. Foi com essa perspectiva que ele foi elaborado”, disse.

 

Desafios

Entre os desafios apontados no PNL 2050 estão a forte dependência das rodovias, que respondem por 54% da movimentação de cargas, a baixa utilização de ferrovias e hidrovias, dificuldades de escoamento da produção, problemas de abastecimento em regiões mais isoladas e barreiras à integração entre os modais.

Para enfrentar esses problemas, o PNL prioriza a ampliação da intermodalidade, com maior conexão entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.

A expectativa é reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade das exportações, melhorar o abastecimento interno e ampliar a integração do território nacional.

O documento lançado nesta quarta-feira dá destaque também à redução das desigualdades regionais, com prioridade para projetos no Norte e Nordeste, e incorpora critérios de sustentabilidade, como adaptação às mudanças climáticas, redução de emissões e proteção da biodiversidade.

 

Fonte: Agência Brasil

SINDISAN se reúne com MEDLOG para discutir agendamentos e devolução de contêineres vazios

Na manhã desta sexta-feira (07), representantes do Grupo de Trabalho de Assuntos Portuários do SINDISAN se reuniram com a equipe da MEDLOG, operadora logística vinculada à MSC responsável pela gestão de depots e do agendamento de devolução de contêineres na região. O encontro teve como ponto de partida um levantamento de dificuldades enfrentadas pelas transportadoras associadas, entre elas a escassez de janelas para devolução de vazios e a demora na aprovação de agendamentos já confirmados.

Como exemplo, foi apresentado o caso de um contêiner do qual o agendamento havia sido realizado em uma sexta-feira para devolução na terça-feira seguinte, às 4h, mas a aprovação ainda não havia sido concluída na segunda-feira à noite, gerando insegurança operacional e risco de custos adicionais para o transportador.

Para o coordenador do GT de Assuntos Portuário Pedro Bala Sorbello, “essa reunião foi muito importante para aproximarmos os contatos entre SINDISAN e MEDLOG e, dessa forma, entender o cenário atual que está ocasionando problemas de janelas para as transportadoras. A conversa foi excelente e eles nos apresentaram planos de ação já em vigor que devem impactar positivamente as operações na próxima semana”.

Causa identificada e ajuste em andamento

Durante a reunião, a MEDLOG pontuou que parte dos atrasos nas aprovações decorria de um critério de priorização baseado na data do agendamento, e não na data de recebimento da solicitação — o que penalizava quem se programava com mais antecedência. 

A empresa informou que uma atualização no sistema, voltada a corrigir esse critério, havia entrado em vigor nesta terça-feira (04). A meta declarada pela operadora é reduzir o tempo de resposta das aprovações para até 24 horas, embora esse prazo ainda não esteja sendo cumprido de forma consistente.

Um dos encaminhamentos práticos da reunião foi a criação de um grupo de comunicação direta entre o SINDISAN e a MEDLOG. O objetivo é permitir o repasse ágil de situações do dia a dia e manter as transportadoras informadas.

Infraestrutura e capacidade

A operadora compartilhou dados sobre o cenário de crescimento do movimento portuário na região — com projeção de aumento expressivo no volume de contêineres nos próximos anos — e sobre o desbalanceamento estrutural entre importação e exportação, que concentra a exportação brasileira majoritariamente em contêineres dry de 20 pés e contêineres reefer de 40 pés, pressionando a disponibilidade de pátio e de janelas.

A MEDLOG reforçou que a limitação física de vagas diárias é um fator real, mas que o aprimoramento dos critérios de aprovação e da comunicação pode reduzir o impacto sobre a operação das transportadoras.

Por fim, a MEDLOG estendeu um convite para que associados do SINDISAN e membros da Comjovem Santos conheçam de perto a operação do terminal, por meio de visitas técnicas e apresentações sobre o funcionamento do processo de agendamento e devolução.

O SINDISAN reforça seu papel de intermediar esse diálogo entre associados e operadores portuários e logísticos, buscando soluções que tragam mais previsibilidade e eficiência para o transporte rodoviário de cargas na Baixada Santista.

 

Fonte: SINDISAN.

Piso mínimo, CIOT e suspensão do RNTRC: as novidades da Lei nº 15.485/2026

Seguem as primeiras impressões sobre a recém-publicada Lei nº 15.485, que entrou em vigor em 6 de agosto de 2026, data da sua publicação. A lei altera profundamente as regras do setor de transporte rodoviário de cargas e traz um nível de rigor que exigirá revisão imediata dos procedimentos internos das associadas. A seguir, apresenta-se cada ponto, para alinhamento exato do que muda para o setor.

A lei tem caráter de reforma ao alterar simultaneamente quatro leis estruturantes: a Lei dos Pisos Mínimos, a Lei de Custeio da Previdência, a Lei do TRC e o Estatuto do Motorista. Trata-se, portanto, de um cerco regulatório integrado.

A norma começa definindo conceitos técnicos importantes, como o que é carga a granel pressurizada e os veículos de carga de pequeno porte (com capacidade útil acima de 500 kg e PBT de até 3.500 kg).

No centro da política de pisos, a ANTT ganhou respaldo para firmar parcerias com a Infra S.A. na elaboração das planilhas de custos, que agora devem obrigatoriamente seguir 11 vetores técnicos bem claros, abrangendo desde distâncias e eixos até tipos específicos de carga, como refrigeradas, reefer, tanques criogênicos e contêineres.

Um ponto que exige atenção cirúrgica é a regra de reajuste automático: se o preço do combustível ao consumidor final oscilar 5% para mais ou para menos, a ANTT tem o prazo exato de 3 dias úteis para publicar a nova tabela. Além disso, há atualizações ordinárias semestrais obrigatórias até 20 de janeiro e 20 de julho, usando o IPCA caso haja omissão do órgão. O descumprimento do piso deixou de ser apenas uma questão financeira comum e passou a gerar um dever legal de indenizar o transportador em até duas vezes o valor do piso da operação.

Merece destaque, para o dia a dia das associadas, a nova escala punitiva trazida pelos artigos 5º-A a 5º-F. A ANTT pode aplicar suspensão cautelar do RNTRC de 5 a 30 dias de forma preventiva, se houver risco concreto ou reiteração (mais de 4 autuações em 6 meses), excetuando o TAC contratado. Em caso de reincidência em 12 meses, a suspensão definitiva vai de 15 a 45 dias. Se houver contumácia — ou seja, duas suspensões definitivas em 24 meses —, a empresa sofre o cancelamento do RNTRC, ficando proibida de operar por até dois anos.

As sanções ainda podem ser estendidas a sócios e empresas do mesmo grupo em casos de fraude ou confusão patrimonial, e multas para reincidentes podem chegar a R$ 1 milhão. Vale destacar que plataformas digitais, aplicativos e intermediários de frete agora respondem solidariamente se publicarem ofertas abaixo do piso.

Ainda dentro desse pacote, o CIOT continua obrigatório e deve ser vinculado de forma integrada ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e). Para os TACs, a emissão passa obrigatoriamente por instituição de pagamento autorizada pelo Banco Central e habilitada pela ANTT. A falta de CIOT gera multa pesada de R$ 10.500, e o prazo limite para pagamento integral do frete é de 30 dias úteis. Para a antecipação de recebíveis, a lei tabelou o Custo Efetivo Total em no máximo 300% da taxa do CDI proporcional ao prazo, proibindo qualquer taxa abusiva que fira o piso mínimo.

Por fim, a administração pública passa a ter a diretriz de destinar até 30% de suas contratações de transporte para TACs credenciados, com emissão facilitada por Nota Fiscal Fácil (NFF).

Há também dois pontos fundamentais para a região: primeiro, a confirmação expressa de que a remuneração do TAC-agregado e do TAC-independente deve respeitar rigorosamente os pisos mínimos, salvo no transporte internacional; segundo, a autorização à ANTT para editar normas específicas de CIOT e prazos para as operações municipais e intermunicipais de movimentação de contêineres entre margens portuárias, terminais e regiões retroportuárias (p.ex. vira).

A lei também impõe um limite ético e jurídico para as empresas de gerenciamento de risco: fica estritamente proibido usar processos judiciais sem trânsito em julgado ou processos administrativos sem decisão definitiva como desculpa para bloquear ou impedir a contratação de um motorista, respeitando a LGPD. Ficam vedadas, assim, listas pretas baseadas em meras distribuições de ações.

Essa lei altera ainda o Estatuto do Motorista (Lei nº 13.103/2015), determinando que acordos e convenções coletivas fixem pisos salariais para motoristas em operações de longa distância — aqueles que ficam fora da base ou da residência por mais de 24 horas. Além disso, reformula o Procargas para apoiar renovação de frotas, pontos de parada e descanso (PPDs) em rodovias não concedidas, capacitação e inovação tecnológica.

Por fim, a lei traz importantes regras de transição, ponto nevrálgico para compreender como o setor deve proceder no curto prazo. As normas antigas continuam valendo no que não colidirem com a nova lei.

Ficou estabelecido um prazo razoável de adaptação não inferior a 60 dias para exigências que dependam de complexidade tecnológica, período em que a fiscalização de novas obrigações acessórias será primordialmente orientativa (com notificações para regularização), exceto em casos de fraude, dolo ou reincidência.

Requer atenção redobrada, porém, o fato de que as obrigações materiais — como pagar o piso mínimo de frete, quitar corretamente e cumprir normas fiscais e de trânsito — são de exigibilidade imediata. As penalidades mais severas de suspensão e cancelamento só valem para fatos novos, sem retroatividade para criar reincidência, e os contratos em andamento têm prazo de até 90 dias para serem adequados.

Recomenda-se que a revisão dos sistemas de emissão de frete seja realizada em confronto com a tabela da ANTT, com auditoria dos critérios de gerenciamento de risco e preparação dos aditivos contratuais dentro do prazo de 90 dias.

Fonte: Marco Fabrício Vieira, assessor jurídico do SINDISAN para assuntos de trânsito e transporte.

SEST SENAT reforça papel da qualificação em debate sobre liderança feminina na infraestrutura

A qualificação profissional, o fortalecimento da liderança feminina e a ampliação da presença das mulheres em áreas estratégicas estiveram no centro dos debates do Summit Mulheres nas Profissões, realizado nesta terça-feira (4), em São Paulo. Organizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, um dos maiores movimentos suprapartidários da sociedade civil, o evento reuniu especialistas, executivas e lideranças de diferentes segmentos para discutir caminhos para ampliar a diversidade e preparar profissionais para as transformações do mercado de trabalho.

Representando o SEST SENAT, a diretora executiva nacional, Nicole Goulart, foi uma das convidadas do painel “Construindo o Futuro: Carreira e Liderança para Mulheres que Atuam na Infraestrutura de Transporte e Logística”, que reuniu profissionais com atuação de destaque em diferentes áreas do setor para debater os desafios e as oportunidades de ampliar a participação feminina em posições estratégicas.

Durante o painel, Nicole apresentou iniciativas desenvolvidas pelo SEST SENAT para ampliar a participação das mulheres no transporte, como programas voltados exclusivamente ao público feminino nas ferrovias, ações de desenvolvimento de lideranças e cursos de capacitação para o segmento aéreo. Segundo ela, essas iniciativas contribuem para romper estereótipos e ampliar o conhecimento sobre as diversas oportunidades profissionais existentes na infraestrutura e na logística.

Nicole também chamou atenção para a importância de desenvolver competências alinhadas às transformações do mercado, como liderança, inovação e capacidade de tomada de decisão. “Precisamos desenvolver novas habilidades porque o mercado também depende delas. Muitas vezes, existe um conceito antecipado de que determinados espaços não pertencem às mulheres, quando, na verdade, falta apenas mostrar que essas oportunidades existem e podem ser ocupadas por elas”, afirmou.

Ao encerrar sua participação, a diretora ressaltou que a ampliação da presença feminina em cargos de liderança também depende do fortalecimento da cidadania e da participação social.

“Se queremos um setor mais forte e com mais mulheres ocupando espaços de decisão, precisamos valorizar o nosso poder de escolha, participar das discussões e conhecer as propostas para o país. A transformação da sociedade começa quando cada pessoa compreende que pode fazer parte dela”, concluiu.

Além de Nicole Goulart, o painel contou com a participação de Dalva Domingos, sócia da Express Transportes Urgentes e mediadora do debate; Rosilda Prates, especialista em relações institucionais e governamentais; e Verena Pagano, executiva com atuação nas áreas de infraestrutura e logística. As painelistas defenderam o fortalecimento das redes de apoio entre mulheres, o investimento na formação de novas lideranças e a adoção de iniciativas que ampliem a diversidade e a inclusão nos setores de infraestrutura, mobilidade e logística.

 

Fonte: Agência CNT Atual

Investimentos em infraestrutura seguem abaixo do necessário, aponta CNT

O crescimento da economia brasileira passa, necessariamente, pela capacidade de o país tornar sua logística mais eficiente. No Brasil, reduzir custos de transporte, integrar as diferentes modalidades e garantir investimentos em infraestrutura significa aumentar a produtividade das empresas. Essa visão permeia os documentos O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País e o Plano CNT de Transporte e Logística 2026.

O Plano CNT aponta a necessidade de R$ 2,03 trilhões em investimentos para viabilizar 2.837 projetos com foco em integração nacional e de mobilidade urbana. Essa necessidade de investimentos equivale a 16% do PIB em 2025. Apesar disso, os investimentos federais em infraestrutura de transporte corresponderam, em média, a apenas 0,15% do PIB ao ano, entre 2015 e 2025. No ano passado, os aportes somaram R$ 16,67 bilhões, o equivalente a somente 0,13% do PIB, reforçando a urgência de se recompor o orçamento público federal e dos governos estaduais e municipais, e ampliar as fontes de financiamento, com ênfase na iniciativa privada.

Hoje, o transporte rodoviário responde por 65,8% da movimentação de cargas no Brasil, percentual superior ao observado em economias de dimensões semelhantes, como Estados Unidos (43%), China (35%) e Austrália (27%). Para a Confederação, esse percentual evidencia a necessidade de ampliar a integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, tornando a matriz de transporte mais equilibrada.

Nesse cenário, a CNT defende o direcionamento dos recursos obtidos pela União por meio de outorgas onerosas de serviços e infraestrutura de transporte para reinvestimento no próprio setor (aprovação da PEC da Infraestrutura). Além disso, a Confederação também propõe a aplicação de parte dos recursos oriundos da Cide-combustíveis para investimentos públicos federais em infraestrutura de transporte e o veto ao contingenciamento de recursos já autorizados pelo OGU (Orçamento-Geral da União).

Para a ampliação dos investimentos privados, a entidade considera imprescindível o fortalecimento do mercado de capitais, das concessões e das PPPs (parcerias público-privadas), aliado à segurança jurídica e à estabilidade regulatória. Em 2025, as emissões de debêntures incentivadas alcançaram R$ 177,97 bilhões. Desse total, R$ 62,12 bilhões foram destinados ao setor de transporte e logística, demonstrando o protagonismo da infraestrutura de transporte na atração de investimentos privados e o potencial desses instrumentos para financiar projetos estruturantes. A entidade ressalta que previsibilidade regulatória, segurança dos contratos e continuidade das políticas públicas são fatores condicionantes para ampliar os investimentos de longo prazo.

 

Planejamento de longo prazo

Os investimentos em infraestrutura também produzem efeitos que vão além das obras. Estudo da CNT mostra que cada R$ 1 investido pela iniciativa privada em rodovias pode gerar até R$ 4,77 no PIB do setor de transporte em até nove meses, enquanto o mesmo valor aplicado pelo poder público pode gerar até R$ 4,64 em um horizonte de até 18 meses. Os resultados demonstram o efeito multiplicador dos investimentos sobre a atividade econômica.

“Os países que mais crescem são aqueles que conseguem transformar infraestrutura em política de Estado. O Brasil precisa garantir planejamento de longo prazo, segurança jurídica e previsibilidade para investir, integrar as diferentes modalidades e criar um ambiente favorável ao capital privado. O transporte movimenta toda a economia e deve estar no centro da estratégia nacional de desenvolvimento”, afirma o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.

Os estudos da CNT mostram, ainda, que o fortalecimento da infraestrutura amplia diretamente a capacidade produtiva do país. Apenas em 2025, foram movimentadas mais de 1,07 bilhão de toneladas em rodovias, sendo que 75% desse volume foi realizado pelas empresas do transporte rodoviário de cargas. Nas ferrovias, foram movimentadas mais de 554,5 milhões de toneladas úteis; nos portos, mais de 1,4 bilhão de toneladas de mercadorias (exportações e importações).

Além dos investimentos em obras físicas de infraestrutura de transporte, o setor possui outras demandas por investimentos e financiamentos para a melhoria da operação, ganhos de eficiência e ampliação da segurança. Essas demandas incluem a criação e a ampliação de linhas de crédito voltadas à renovação de frotas de caminhões, ônibus, navios, equipamentos de apoio à navegação, locomotivas e material rodante, e aeronaves; à modernização de polos logísticos e à melhoria da conectividade nas vias. O papel de instituições financeiras públicas, especialmente bancos de desenvolvimento, é estratégico tanto na estruturação quanto no financiamento desses projetos.

Para a Confederação Nacional do Transporte, ampliar essa capacidade por meio de investimentos significa reduzir custos para toda a cadeia produtiva, fortalecendo a competitividade das empresas brasileiras. Assim, criam-se as condições para um ciclo sustentável de crescimento econômico e geração de empregos.

 

Fonte: Agência CNT Transporte Atua

Empresários criticam traçado proposto para acesso ao Porto de Santos pela terceira pista da Rodovia dos Imigrantes

Os empresários da Alemoa, em Santos, são contra o Corredor Porto-Indústria (Copi), proposto pela Prefeitura de Cubatão e atualmente em análise pelos governos Estadual e Federal. O motivo é que o traçado desemboca no bairro, na Avenida Albert Schweitzer, depois de partir da região do Sítio dos Areais, em Cubatão — onde termina a futura terceira pista da Rodovia dos Imigrantes. O Copi não passaria pelas rodovias Anchieta e Cônego Domenico Rangoni. Com cerca de 13,5 quilômetros de extensão prevê duas faixas de rolamento por sentido, dimensionadas para tráfego de caminhões.

“Estamos próximos de conseguir o túnel Santos-Guarujá, o viaduto da Anchieta, no Saboó, e a terceira pista da Imigrantes. Aí surgem ideias como esse corredor logístico, entre outras, que acabam desviando o foco do que realmente é prioridade. No final, ficamos sem nada, até sem manutenções preventivas do que já dispomos”, afirma o presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial e Portuário da Alemoa (AMA), João Maria Menano.

O empresário pontua que a Alemoa está totalmente ocupada. “Receber ainda um corredor de cargas – que não têm origem e destino no bairro – não tem sentido”, explica.

Inviável

A presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), Rose Fassina, considera inviável o Copi da forma como está previsto.

“O problema é o próprio traçado: direcionar um corredor com capacidade para até 20 mil veículos por dia para desembocar na Avenida Albert Schweitzer é tecnicamente incompatível com a realidade da via. Essa avenida é um dos pontos mais críticos da malha viária da Alemoa. Não há como absorver esse volume adicional de tráfego numa via que já é estreita para a demanda atual”, diz.

Rose soma a isso o fato de que a Alemoa, nos últimos anos, possui projetos de expansão previstos pela Autoridade Portuária de Santos (APS), além da possível ampliação de um Terminal de Uso Privado (TUP) e de novos berços públicos para granéis líquidos.

“É uma área que já concentra múltiplos interesses e projetos concorrendo pelo mesmo espaço físico e pela mesma infraestrutura viária limitada. Qualquer novo corredor precisa ser pensado em conjunto com esse cenário. Como está proposto, o projeto resolve um gargalo em Cubatão criando outro, maior, na Alemoa. É uma transferência de problema”, afirma.

A dirigente do Sindisan defende que o projeto seja revisto antes de avançar. “Para as indústrias e terminais instalados na Alemoa, isso significa mais atraso operacional, mais custo logístico e mais insegurança viária, os mesmos problemas que a região já enfrenta hoje, potencializados”, afirma. “O bairro da Alemoa opera, hoje, no limite da infraestrutura para a qual foi originalmente projetado”, sentencia.

O secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo de Cubatão, Fabrício Lopes, minimizou a questão do traçado do Corredor Porto-Indústria (Copi), justificando que “possui caráter conceitual e ainda demanda avaliações técnicas mais aprofundadas para análise da viabilidade sob os aspectos de engenharia, mobilidade, logística, meio ambiente e modelagem institucional” e que é uma “referência inicial para subsidiar os estudos que deverão apontar a solução mais adequada para a região”.

“Essas avaliações, inclusive, já foram objeto de solicitação formal tanto ao Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), quanto ao Governo Federal, por intermédio do Ministério dos Transportes, considerando que se trata de um empreendimento de interesse regional, cuja implantação extrapola as competências e a capacidade de execução exclusiva do Município de Cubatão”, lembra.

Lopes acrescentou que, por esse motivo, todas as etapas futuras serão conduzidas com absoluta transparência e diálogo institucional. “À medida que o projeto evoluir tecnicamente, os estudos serão compartilhados e debatidos com os órgãos públicos competentes, a Autoridade Portuária de Santos (APS), concessionárias, entidades representativas e o setor produtivo, permitindo que as contribuições apresentadas sejam analisadas e, quando pertinentes, incorporadas ao seu desenvolvimento”, afirma.

Diálogo

O secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo de Cubatão, Fabrício Lopes, disse que, em 4 de março, realizou uma reunião com a Associação das Empresas do Distrito Industrial e Portuário da Alemoa (AMA), o Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan) e a Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC) para mostrar o projeto. O secretário não esclareceu, porém, o motivo pelo qual a Prefeitura de Santos não participou das discussões técnicas sobre o Copi.

 

Fonte: A Tribuna

Rodovias Anchieta e Imigrantes terão interdições por uma semana; veja trechos e horários

Quem pretende utilizar as rodovias do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) na próxima semana encontrará uma série de bloqueios e interdições.

Entre a próxima segunda-feira (3/8) e domingo (9/8), a Ecovias Imigrantes, concessionária responsável pela via, fará obras de manutenção que irão alterar também as operações subida e descida da serra.

As interdições ocorrerão em diferentes datas e horários, principalmente no período da noite, e vão alterar o tráfego entre a via Anchieta (SP-150) e a rodovia dos Imigrantes (SP-160). Em um dos dias, também haverá bloqueio durante a manhã.

Segundo a Ecovias, os bloqueios são necessários para a realização de obras de conservação e manutenção da infraestrutura viária. Durante os serviços, o tráfego será desviado para as pistas que permanecerem abertas.

Confira o cronograma de bloqueios

Segunda e quinta-feira (3 e 6/8)
A partir das 23h30, a pista Sul da Anchieta, será bloqueada para obras no trecho de serra.

Durante esse período:

A descida para o litoral será feita pela pista Norte da Anchieta e pela pista Sul da Imigrantes;
A subida para São Paulo ocorrerá pela pista Norte da Imigrantes.

Terça e quarta-feira (4 e 5/8)
Também a partir das 23h30, serão bloqueadas as pistas Sul da Via Anchieta e da rodovia dos Imigrantes no trecho de serra.

 

Fonte: Gazeta d S. Paulo