Porto de Santos terá novo pátio de caminhões no Guarujá

A Autoridade Portuária de Santos (APS) firmou contrato com a Conecta Log Condomínio Logístico SPE S.A. para a implantação e operação de um novo condomínio logístico na margem esquerda do Porto de Santos, em Guarujá. O empreendimento ocupará uma área de 163,1 mil m², no bairro Conceiçãozinha, e terá prazo de cessão de 20 anos.

O projeto, denominado Condomínio Logístico da Margem Esquerda (CDME), prevê a implantação de um pátio regulador de caminhões com 73,5 mil m² e capacidade para 417 vagas. A estrutura terá ainda uma área de serviços de apoio logístico e espaços destinados à armazenagem.

A área está inserida na poligonal do Porto Organizado de Santos, mas não é afeta à operação portuária, segundo a APS. A cessão será onerosa e permitirá à Conecta Log utilizar o espaço para a implantação e exploração do empreendimento, sem alteração da titularidade da área, que permanece vinculada ao patrimônio portuário.

Além do pátio para caminhões, o projeto contempla 89,6 mil m² destinados a serviços de apoio logístico e 50,1 mil m² para a instalação de armazéns. A estrutura deverá reunir atividades de suporte à cadeia logística em uma área estratégica do complexo portuário.

Pelo contrato, a Conecta Log pagará à APS R$ 165 mil por mês pela utilização da área. Considerando o valor atual, a remuneração corresponde a R$ 1,98 milhão por ano durante o período de 20 anos, sem considerar eventuais atualizações previstas contratualmente.

A implantação do CDME amplia a utilização de áreas do Porto Organizado destinadas a atividades logísticas e de apoio à movimentação de cargas, especialmente na margem esquerda do complexo.

 

Fonte: BE News

COMUNICADO ANTT – MANUTENÇÃO PROGRAMADA DE ENERGIA E INDISPONIBILIDADE DO SISTEMA RNTRC

A NTC&Logística reitera aos seus associados o Comunicado da Superintendência de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas (SUROC) da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre a indisponibilidade programada de seus sistemas e serviços eletrônicos relacionados ao transporte rodoviário e multimodal de cargas.

Segundo o Comunidado da SUROC/ANTT, ficarão temporariamente fora do ar os seguintes sistemas: RNTRC; CIOT; Vale-Pedágio Obrigatório; Calculadora de Frete; Sistema SCF (TRIC) e Sistema de Prova Eletrônica.

• Das 22h do dia 4 de setembro de 2026 às 23h59 do dia 7 de setembro de 2026 — atenção: este período tem início já neste final de semana.

A indisponibilidade abrangerá inclusive as consultas públicas relacionadas ao transporte rodoviário nacional, internacional e multimodal de cargas.

Durante os períodos de indisponibilidade, as Instituições de Pagamento Eletrônico de Frete (IPEFs) e os Fornecedores de Vale-Pedágio Obrigatório deverão utilizar os procedimentos de operação em contingência aplicáveis aos serviços de CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) e Vale-Pedágio Obrigatório.

As operações realizadas em contingência deverão ser posteriormente transmitidas à ANTT, observados os prazos e procedimentos estabelecidos na regulamentação e nas orientações técnicas de cada serviço.

A NTC&Logística recomenda às transportadoras que se preparem para adotar os procedimentos de contingência informados pela ANTT durante o período de instabilidade.

 

Fonte: NTC&Logística, com informações da ANTT.

4ª SIPAT Unificada reúne mais de 500 participantes em São Vicente

Entre os dias 25 e 29 de agosto, o SINDISAN, em parceria com as unidades do SEST SENAT da Baixada Santista, promoveu a 4ª edição da SIPAT Unificada. O evento, realizado no SEST SENAT de São Vicente, reuniu mais de 500 participantes e contou com o envolvimento de 16 empresas do setor de transporte rodoviário de cargas da Baixada Santista e do Litoral Paulista, consolidando-se como um dos principais espaços de conscientização sobre saúde, segurança do trabalho e qualidade de vida da região.

Nesta edição, a programação teve como eixo central o trabalho voluntário, em referência à declaração de 2026 pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável. Como parte da mobilização, colaboradores das empresas participantes foram convidados a enviar vídeos relatando como o trabalho voluntário transforma a própria vida e a de quem recebe o apoio. O evento também contou com arrecadação de agasalhos.

 

Programação

Ao longo da semana, a programação reuniu palestras, oficinas e dinâmicas com temas como infecções sexualmente transmissíveis, primeiros socorros, síndrome de FOMO, burnout, alimentação saudável, endividamento e saúde emocional, uso seguro de medicamentos, violência contra a mulher e saúde integrativa. Pela primeira vez, o evento foi encerrado no sábado, dia dedicado à segurança viária, com palestras sobre direção defensiva e prevenção de acidentes no transporte de cargas, apresentação do Programa Fala Motorista e uma palestra sobre legislação de trânsito.

A gerente-executiva do SINDISAN, Patrícia Santos, reforçou o crescimento da iniciativa a cada edição. “Chegamos ao fim da quarta edição da SIPAT Unificada do SINDISAN. Esse ano tivemos a participação de 16 empresas, mais de 500 colaboradores estiveram conosco aqui na unidade do SEST SENAT de São Vicente ao longo desses últimos cinco dias. Foi um prazer tê-los conosco, e espero que estejamos juntos novamente na quinta edição, que será realizada em 2027”, disse.

Para Ronaldo Oliveira, da ID Consultoria, que acompanha a SIPAT Unificada desde a primeira edição, o balanço da semana é positivo. “Eu, que participei da primeira, da segunda e da terceira edição, quero parabenizar primeiramente todas as empresas que se empenharam em realizar essa Semana Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio. Foi um sucesso”, afirma.

Já o diretor da unidade São Vicente do SEST SENAT, Sérgio Luís Gonçalves Pereira, destacou o papel da instituição a serviço do trabalhador do transporte. “É uma oportunidade única recebê-los aqui na nossa casa, que é, na verdade, a casa de vocês, do trabalhador em transporte. O SEST SENAT foi criado para atender o trabalhador e é mantido pelo setor patronal, que faz uma contribuição. Só em São Paulo são 32 unidades, e no Brasil, 176, à disposição de quem trabalha no transporte de cargas, de passageiros, aquaviário, aéreo e ferroviário”.

 

Patrocínio e apoio

A comissão organizadora, composta por cipeiros das empresas Aldebaran Transportes, Estrela Logística, Fassina Logística, Line Transportes, Sigma Transportes, SuperTrans e Terra Master, foi responsável por toda a coordenação do evento
Com mais essa edição de sucesso, o SINDISAN reafirma seu compromisso com a prevenção de acidentes, a promoção da saúde e a valorização das pessoas no setor de Transporte Rodoviário de Cargas.
O evento teve patrocínio da Port Risk, da Sanmell Motos São Vicente e da Transpocred. A realização foi do SINDISAN e da COMJOVEM Santos, com apoio institucional do SEST SENAT e do Movimento Vez & Voz, e o apoio da Perfil Saúde Corporativa e da UNIP.

 

Confira as fotos dos dias de evento aqui.

 

Fonte: SINDISAN.

COMUNICADO CONET – Defasagem do Frete: um alerta para toda a cadeia do Transporte Rodoviário de Cargas

A NTC&LOGÍSTICA torna pública a defasagem média de 10,5% entre os valores de frete praticados e os custos efetivos do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), apurados pelo DECOPE – Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas.

O índice representa um importante sinal de alerta para transportadores, embarcadores, contratantes e demais agentes envolvidos na contratação do transporte, uma vez que a manutenção de preços abaixo dos custos compromete a sustentabilidade econômica das operações e, consequentemente, a capacidade de manutenção da qualidade e da segurança dos serviços.

 

A defasagem de 10,5% é o principal alerta

Após um período de maior estabilidade dos custos operacionais em 2025, o primeiro semestre de 2026 foi marcado por forte pressão sobre os custos do transporte, especialmente em razão dos combustíveis.

No período, o combustível apresentou aumento acumulado de 17,63%, enquanto os demais componentes também registraram elevação:

Componente de custo Acumulado no 1º semestre de 2026
Caminhão 1,32%
Mão de obra 5,00%
Combustível 17,63%

No acumulado de 12 meses, o INCT-Lotação registrou alta de 8,36%, enquanto o INCT-Fracionado aumentou 8,19%, ambos acima do IPCA do período, de 4,64%.

Mesmo diante dessa evolução dos custos, os preços praticados no mercado não acompanharam integralmente essa elevação. O resultado é uma defasagem média de 10,5%, que evidencia a necessidade de revisão dos valores atualmente praticados.

 

O impacto para o transporte e para toda a cadeia

O transporte rodoviário de cargas é essencial para o funcionamento da economia brasileira. Quando o preço contratado não acompanha o custo necessário para realizar a operação, a diferença precisa ser absorvida pelo transportador, reduzindo sua margem e comprometendo sua capacidade de investimento, por exemplo, em renovação de frota, manutenção, segurança e melhoria dos serviços.

Por isso, a recomposição do frete não deve ser vista apenas como uma questão do transportador, mas como uma necessidade para preservar a sustentabilidade de toda a cadeia logística.

Além da recomposição do frete, é fundamental que sejam corretamente considerados os componentes tarifários aplicáveis a cada operação, especialmente Frete-Valor, GRIS, TSO, custos de gerenciamento de riscos, cobrança adequada de cubagem e demais taxas e serviços adicionais.

Também merece atenção o custo financeiro decorrente dos prazos concedidos aos clientes. Com a Selic ainda elevada, o financiamento desses prazos representa um custo adicional para o transportador que não está contemplado nas planilhas referenciais de custos da NTC.

 

A recomposição dos valores

A defasagem média de 10,5% demonstra que os preços atualmente praticados não refletem integralmente o custo necessário para a prestação do serviço de transporte.

Esse cenário aponta a necessidade de que transportadores e contratantes revisem os valores de frete e seus componentes, buscando recompor as perdas acumuladas e estabelecer preços compatíveis com os custos efetivos de cada operação.

A recomposição adequada dos preços é fundamental para assegurar a continuidade, qualidade, segurança e sustentabilidade do Transporte Rodoviário de Cargas, setor essencial para o abastecimento da população, o funcionamento das empresas e o desenvolvimento da economia brasileira.

Frete adequado é condição para um transporte sustentável.

Brasília, 27 de agosto de 2026.
Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística

 

Fonte: NTC&Logística.

Em Ouro Preto, Intersindical reúne lideranças do TRC para debater regulação, reforma tributária e eleições de 2026

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística realizou, na última sexta-feira, 28 de agosto, em Ouro Preto (MG), a reunião Intersindical, que marcou o segundo dia de atividades da segunda edição do CONET&Intersindical 2026. O encontro reuniu mais de 400 pessoas, entre presidentes de federações e sindicatos, empresários, autoridades, lideranças e especialistas para discutir pautas institucionais, regulatórias, jurídicas e econômicas com impacto direto no Transporte Rodoviário de Cargas.

Realizada no Hotel Vila Galé Ouro Preto, a edição teve a FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais como entidade anfitriã, com o apoio dos sete sindicatos que integram sua base territorial: SETCEMG; SETCOM; SETSUL; SETTRIM; SINDNOR; SETCJF e SINDIPESA. Diferentemente do primeiro dia, dedicado principalmente às discussões sobre mercado, custos e perspectivas econômicas, a Intersindical direcionou os debates para a atuação institucional e temas estratégicos que influenciam o ambiente de negócios do setor.

Para a abertura dos trabalhos, compuseram a mesa o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; o vice-presidente da entidade, Antonio Luiz Leite, e o presidente da FETCEMG, Gladstone Lobato. Na ocasião, Rebuzzi fez um balanço positivo do primeiro dia do CONET. O presidente ressaltou que, embora muitos dos temas tragam preocupações ao setor, cabe à NTC&Logística oferecer informações e análises que contribuam para as tomadas de decisão das empresas.

“Quero dar as boas-vindas a todos e agradecer pela participação. Tivemos ontem um dia muito positivo, com temas importantes para o setor e uma repercussão bastante favorável entre os participantes. Foram apresentados dados e análises sobre mercado, custos, confiança e cenário econômico, além de debates que trouxeram diferentes perspectivas para os empresários. Muitos desses assuntos naturalmente nos preocupam, mas nosso papel institucional é justamente trazer informações, dados e fatos para que cada um possa fazer sua análise, tomar decisões com mais segurança e continuar trabalhando pelo fortalecimento de suas empresas e do Transporte Rodoviário de Cargas. Desejo a todos um excelente segundo dia de evento e uma ótima Intersindical”, apresentou Rebuzzi.

 

Novo cenário geopolítico mundial

A programação teve início com a palestra inaugural “O Novo Cenário Geopolítico Mundial”, ministrada pelo cientista político e analista de risco político Marcelo Suano. Em sua apresentação, o mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) analisou a reconfiguração da ordem internacional a partir das diferentes estratégias adotadas por Estados Unidos, China e Rússia, e ampliou a discussão para os movimentos internacionais que podem alterar fluxos comerciais, investimentos, cadeias de abastecimento e decisões empresariais, conectando o cenário global às perspectivas para o Transporte Rodoviário de Cargas.

Entre os pontos abordados, estiveram a ascensão chinesa e a Iniciativa Cinturão e Rota, com investimentos em portos, ferrovias, rodovias e corredores internacionais; a posição estratégica da Rússia nos mercados de energia, alimentos e nas rotas euroasiáticas, e a política externa norte-americana sob Donald Trump, marcada pelo nacionalismo econômico, pelo unilateralismo e pela tentativa de reafirmar a liderança dos Estados Unidos. O especialista relacionou esses movimentos diretamente à logística, mostrando como tarifas, sanções, energia, seguros, segurança e mudanças de rotas internacionais podem chegar rapidamente aos custos, prazos e margens do transportador brasileiro.

“Estamos vivendo uma reconstrução da ordem internacional, e o transportador precisa compreender que a geopolítica hoje é uma variável direta da sua operação. Decisões tomadas em Washington, Pequim ou Moscou se refletem em rotas, preços de energia, tarifas, seguros e prazos. Para o Brasil, esse cenário exige capacidade de antecipação, infraestrutura adequada, previsibilidade regulatória e uma atuação institucional articulada. A ordem mudou, a logística traduz essas mudanças no dia a dia, e o setor precisa ter informação e voz para se posicionar diante delas”, destacou Marcelo Suano.

 

Agenda Institucional da NTC&Logística

Na sequência, a Intersindical promoveu a “Agenda Institucional da NTC&Logística”, espaço dedicado à apresentação das principais frentes técnicas, jurídicas e institucionais acompanhadas pela entidade. Sob a condução do presidente Eduardo Rebuzzi, o painel reuniu o vice-presidente da entidade, Antonio Luiz Leit, e o diretor financeiro, José Maria Gomes, que compõem a diretoria executiva da entidade; o presidente da FETCEMG, Gladstone Lobato; o diretor jurídico da NTC&Logística, Marcos Aurélio Ribeiro, e o assessor jurídico Narciso Figueirôa Junior; o assessor técnico Lauro Valdivia Neto; a assessora de Relações Institucionais, Edmara Claudino; a assessora jurídica Gil Menezes e o especialista em segurança, Waldomiro Milanesi.

O momento foi privilegiado com a exposição de um panorama atualizado das ações conduzidas pela NTC&Logística em Brasília, do relacionamento permanente com o Congresso Nacional, órgãos governamentais e agências reguladoras, e das pautas que demandam acompanhamento técnico e articulação institucional por parte do setor.

O primeiro tema foi conduzido pelo assessor jurídico da NTC&Logística, Narciso Figueirôa Junior, que discorreu sobre as negociações coletivas no Transporte Rodoviário de Cargas em 2026. Na ocasião, o assessor jurídico divulgou uma pesquisa realizada com 27 sindicatos, demostrando que 93% das negociações já haviam sido concluídas – em 78% dos casos, os reajustes salariais ficaram acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O reajuste salarial foi apontado como principal ponto de impasse por 53% dos participantes, enquanto 96% das negociações foram solucionadas sem ajuizamento de dissídio coletivo, comprovando a predominância do diálogo entre as partes.

Narciso também abordou a contribuição assistencial patronal e os reflexos do Tema 935 do Supremo Tribunal Federal (STF), ressaltando a importância de previsão em acordo ou convenção coletiva, razoabilidade, publicidade e direito de oposição. Outro ponto foi a Lei nº 15.485/2026, que trata do piso salarial dos motoristas de longa distância. O assessor ressaltou que a norma não fixou um valor nacional de R$ 5 mil, deixando a definição do piso e dos critérios de aplicação para a negociação coletiva.

Coube à assessora de Relações Institucionais da NTC&Logística, Edmara Claudino, expor a atualização do desempenho da entidade junto ao Congresso Nacional, Governo Federal e órgãos reguladores. Entre as pautas apresentadas, estiveram as discussões sobre o fim da escala 6×1; a adequação das regras da Anvisa à realidade operacional do cross-docking, além do PL 429/2025, sobre tacógrafos, que incorporou proposta da entidade para que a verificação metrológica inicial seja responsabilidade do fabricante ou importador.

O delegado de Polícia Civil e especialista em segurança Waldomiro Milanesi participou da Agenda Institucional, trazendo para a discussão o cenário do roubo de cargas no Brasil. Com base em dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o especialista mostrou que foram registradas 3.851 ocorrências entre janeiro e junho de 2026, uma redução de 12,06% em relação ao mesmo período de 2025. Milanesi também destacou a tendência de queda observada desde 2018 e lembrou que 2025 encerrou com 8.576 registros, o menor número anual da série histórica iniciada em 2015.

A assessora jurídica da NTC&Logística, Gil Menezes, deu continuidade às apresentações com uma atualização sobre o piso mínimo de frete e o CIOT, salientando as mudanças trazidas pela Lei nº 15.485/2026 e seus impactos operacionais para o Transporte Rodoviário de Cargas. Entre as novidades expostas, constaram o prazo máximo de 30 dias úteis para quitação do frete; a possibilidade de indenização ao transportador de até duas vezes o piso mínimo devido; a inclusão do TAC Agregado – e de outros tipos de veículos e combustíveis – na regulamentação, e o reforço das sanções em casos de fraude. Gil também detalhou a obrigatoriedade do CIOT para o transporte remunerado, sua vinculação ao MDF-e e o avanço da fiscalização automatizada pela ANTT para identificar operações realizadas abaixo do piso mínimo.

Encerrando as exposições da Agenda Institucional, o diretor jurídico da NTC&Logística, Marcos Aurélio Ribeiro, abordou temas jurídicos e regulatórios considerados estratégicos para as empresas transportadoras. Entre os principais pontos, a Reforma Tributária, com destaque para a implantação da CBS e do IBS; o novo modelo de apuração e aproveitamento de créditos, e o período de transição previsto para 2027. Marcos Aurélio também tratou dos seguros obrigatórios do Transporte Rodoviário de Cargas, incluindo RCTR-C, RC-DC e RC-V, além das discussões envolvendo DDR, carta conforto e possíveis situações de duplicidade de cobertura. O diretor destacou, ainda, a atuação da NTC&Logística junto à Superintendência de Seguros Privados (Susep) e ao Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), em busca de soluções para aquelas questões e o acompanhamento de alternativas legislativas para aperfeiçoar a regulamentação.

 

Inteligência técnica para entidades do transporte

Após o intervalo para o almoço, a programação foi retomada com a apresentação “Inteligência Técnica para Entidades do Transporte”, conduzida por Raquel Serini Iwashima, coordenadora de Projetos do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC). A especialista mostrou como sindicatos, associações e federações podem ampliar o suporte oferecido aos associados a partir de uma estrutura técnica compartilhada, com acesso a pesquisas, estudos, indicadores e dashboards, informações sobre mercado de trabalho, inteligência de mercado, consultoria econômica e auditorias. A proposta é permitir que as entidades transformem demandas de suas bases em respostas mais rápidas e qualificadas, sem a necessidade de manter internamente uma estrutura técnica completa.

Entre as iniciativas expostas, Raquel destacou o novo Hub de Informação do IPTC, plataforma que está em desenvolvimento para concentrar diferentes soluções de inteligência técnica em um único ambiente, com acesso multidisciplinar, modelo self-service e suporte técnico e estratégico. A apresentação também reforçou a utilização de dados como instrumento para decisões mais assertivas, aumento da competitividade, redução de custos e riscos, e fortalecimento das entidades junto aos seus associados.

 

Reforma Tributária

Um dos temas centrais da programação da tarde foi a Reforma Tributária. A palestra reuniu Alessandra Brandão – consultora da Confederação Nacional do Transporte (CNT), co-presidente da Associação Brasileira de Direito Tributário (ABRADT) e sócia-coordenadora da área jurídica do escritório Marcelo Tostes – e Reinaldo Lage Rodrigues de Araújo, assessor jurídico tributário da FETCEMG. Os especialistas fizeram apresentações distintas, abordando diferentes aspectos da implementação do novo sistema tributário e seus impactos sobre o Transporte Rodoviário de Cargas.

Alessandra concentrou sua explanação no estágio atual da reforma e na preparação das empresas para o novo modelo. Entre os pontos abordados, estiveram a apuração assistida, o aproveitamento de créditos, o RAD como alternativa ao split payment e os impactos sobre o caixa das transportadoras. A especialista frisou também que a transição pode ser uma oportunidade para revisar processos, reorganizar custos, ampliar o aproveitamento de créditos e tornar a operação mais eficiente e competitiva.

“A Reforma Tributária já começou, e as empresas precisam fazer uma análise introspectiva, para entender onde estão seus riscos e oportunidades. Decisões sobre preço, contratos, compra de frota e fornecedores passam a depender diretamente de uma leitura muito mais precisa dos tributos e dos créditos envolvidos em cada operação. Essa preparação precisa ser integrada, envolvendo diferentes áreas da empresa. A transição também abre oportunidades para rever processos, aproveitar melhor os créditos, reorganizar custos e tornar a operação mais eficiente e competitiva”, refletiu Alessandra.

Na sequência, Reinaldo Lage aprofundou os impactos operacionais da reforma para as transportadoras, abordando mudanças no CT-e, ampliação das possibilidades de crédito e efeitos do split payment sobre o capital de giro. Também destacou a necessidade de revisar fornecedores, contratos, preços e saldos credores, além de preparar sistemas e documentos fiscais para as novas exigências, diante dos impactos da tributação sobre a formação do frete e a estratégia das empresas.

“A Reforma Tributária deixa de ser um assunto restrito ao departamento fiscal e passa a fazer parte da estratégia da transportadora. Quem organizar agora seus créditos, documentos, sistemas e contratos terá melhores condições de proteger margem, ganhar previsibilidade e atravessar a transição com mais segurança”, ressaltou Reinaldo.

 

Regulamentação do Transporte Rodoviário de Cargas

Dando continuidade à programação, o superintendente de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (SUROC/ANTT), José Aires Amaral Filho, conduziu a palestra “Regulamentação do Setor”. A participação deu continuidade ao diálogo entre a Agência e as entidades do Transporte Rodoviário de Cargas sobre as mudanças regulatórias em andamento e os próximos passos para a implementação das novas regras.

Entre os principais pontos, José Aires detalhou as alterações consolidadas pela Lei nº 15.485/2026 na Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. O superintendente salientou a ampliação do CIOT, que passa a ocupar papel central no registro, rastreabilidade e controle das operações, com integração ao MDF-e e validação do piso mínimo quando aplicável. Também abordou as atualizações anuais do RNTRC, o prazo de até 30 dias úteis para pagamento do frete, o fortalecimento da fiscalização eletrônica e das penalidades, e a revisão da metodologia do piso mínimo para contemplar novas configurações de veículos, combustíveis e situações operacionais.

“Estamos avançando para um modelo de regulação cada vez mais integrado, no qual dados, sistemas, CIOT e fiscalização passam a atuar de forma conjunta. A Lei nº 15.485 amplia os instrumentos disponíveis e exige que a regulamentação acompanhe a diversidade das operações do transporte rodoviário de cargas. Nosso desafio agora é transformar essas mudanças legais em regras aplicáveis, com segurança jurídica, clareza para o mercado e mecanismos que permitam uma fiscalização mais preventiva e eficiente”, apresentou José Aires.

 

Pesquisas eleitorais e projeções para 2026

Encerrando a programação técnica da Intersindical, Marcelo Costa Souza, especialista em Estatística e diretor da MDA Pesquisa, desenvolveu o tema “Pesquisas Eleitorais e Projeções para as Eleições 2026”. Segundo o agregador da MDA, com referência em 23 de agosto, Lula aparecia com 40,8% das intenções de voto estimuladas, ante 32,9% de Flávio Bolsonaro. Marcelo destacou que os dois principais campos possuem bases eleitorais resilientes e índices elevados de rejeição, o que dificulta o avanço de uma terceira via.

Na análise dos fatores que podem influenciar o voto, o especialista apontou a economia cotidiana, especialmente custo de vida, poder de compra, emprego, renda e crédito, além de temas como segurança, saúde e corrupção. Também destacou o Sudeste como região estratégica para a definição da disputa e chamou atenção para o peso dos indecisos, da terceira via e da abstenção na reta final da eleição.

“Os dois principais campos chegam à disputa com bases bastante resilientes, mas também com níveis elevados de rejeição. Por isso, a eleição não será definida apenas pela capacidade de preservar o eleitor já conquistado. O diferencial estará em quem conseguir dialogar melhor com a terceira via, os indecisos e os segmentos que ainda podem mudar de posição. Nesse processo, a experiência cotidiana com a economia, a segurança, a saúde e os serviços públicos terá peso importante sobre a decisão do eleitor”, refletiu Marcelo.

Em todas as apresentações, o público teve a oportunidade de participar, com perguntas e contribuições que ampliaram as discussões e permitiram o aprofundamento dos temas abordados ao longo da Intersindical.

 

Homenagens

A FETCEMG realizou duas homenagens a representantes que integram a história do Transporte Rodoviário de Cargas em Minas Gerais. O empresário Heber de Boscoli Lara foi reconhecido por sua trajetória profissional e contribuição para o fortalecimento da representação empresarial e desenvolvimento do setor no Estado.

Também foi homenageada a Picorelli Transportes, que completa 95 anos de atuação em 2026. Representada por Alexandre e Fabiana Picorelli, terceira e quarta gerações da família à frente da empresa, a transportadora foi destacada por sua longevidade e colaboração histórica na representatividade do TRC, incluindo sua participação na construção de entidades como a NTC&Logística, a FETCEMG e o Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de Juiz de Fora (SETCJF).

 

Próxima edição do CONET&Intersindical

Ao final da programação de conteúdo, o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística no Estado do Ceará (SETCARCE), Marcelo Maranhão, e o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste (FETRANSLOG-NE), Arlan Rodrigues, foram convidados a apresentar Fortaleza como sede da primeira edição do CONET&Intersindical de 2027, programada para os dias 25 e 26 de fevereiro. Durante sua participação, Marcelo Maranhão promoveu a exibição de um vídeo ilustrativo e convidou as lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas para o próximo encontro nacional.

 

Encerramento

Com o anúncio oficial da próxima edição do CONET&Intersindical realizado, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, fez um balanço dos dois dias de debates, enfatizando a importância do encontro para o fortalecimento da atuação conjunta do setor. “Concluímos mais uma edição do CONET&Intersindical com dois dias de muito conteúdo, diálogo e participação das nossas entidades. Quero agradecer especialmente à FETCEMG e aos sindicatos anfitriões pela recepção, assim como a todos os palestrantes, patrocinadores, apoiadores e lideranças que estiveram conosco em Ouro Preto. É essa presença conjunta que fortalece a NTC&Logística e nos dá ainda mais condições de representar o Transporte Rodoviário de Cargas nas pautas que impactam nossas empresas”, finalizou Rebuzzi.

No jantar de encerramento, oferecido pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais – SETCEMG, a NTC&Logística realizou a tradicional homenagem à entidade anfitriã do CONET – a FETCEMG –, com a entrega de uma placa de reconhecimento pela participação na organização e realização do encontro em Ouro Preto. Na ocasião, as sete entidades da base da FETCEMG – SETCEMG, SINDINOR, SETTRIM, SETCJF, SINDIPESA, SETSUL e SETCOM – foram igualmente homenageadas, assim como a FETRANSLOG-NE, federação responsável pelo maior número de lideranças presentes nesta segunda edição de 2026 do CONET&Intersindical.

“Receber todos vocês em Minas Gerais foi uma grande satisfação. Tivemos a oportunidade de trocar experiências, fortalecer relações e compartilhar um pouco da nossa hospitalidade. Agradeço à NTC&Logística, por trazer o CONET&Intersindical para Ouro Preto; à FETCEMG, pelo apoio na realização do evento, e às equipes das entidades que trabalharam para que este encontro acontecesse. Também deixo meu agradecimento aos empresários e lideranças que estiveram conosco. Seguiremos ao lado da NTC&Logística, contribuindo para o fortalecimento e a defesa do Transporte Rodoviário de Cargas”, destacou Antonio Luis da Silva Junior.

A segunda edição do CONET&Intersindical 2026 é uma realização da NTC&Logística, tendo a FETCEMG como entidade anfitriã, com o apoio do SETCEMG, SETCOM, SETSUL, SETTRIM, SINDNOR, SETCJF e SINDIPESA.

Patrocínio: FENATRAN – RX Global; Geotab, Mercedes-Benz; Roadcard – Pamcard; TGID; Transpocred e Volkswagen Caminhões e Ônibus.

Apoio institucional: Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte; SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte; ITL – Instituto de Transporte e Logística) e FuMTran – Fundação Memória do Transporte.

Apoio logístico: Braspress.

 

Fonte: NTC&Logística.

Transporte de cargas responde por 12,2% da receita dos serviços no país

O transporte de cargas esteve entre as principais atividades do setor de serviços não financeiros em 2024, segundo a Pesquisa Anual de Serviços (PAS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A atividade respondeu por 12,2% da receita operacional líquida do setor, que alcançou R$ 3,5 trilhões no ano.

 

Transporte de cargas

O resultado coloca a logística de cargas entre as atividades de maior peso econômico dentro dos serviços, segmento diretamente relacionado ao escoamento de produtos agrícolas e ao abastecimento dos mercados.

O setor de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios respondeu por 28,3% da receita operacional líquida dos serviços não financeiros em 2024, ficando atrás apenas de Serviços profissionais, administrativos e complementares, que representaram 29,4%.

Além do transporte rodoviário de cargas, a pesquisa também acompanha atividades de armazenamento e serviços auxiliares aos transportes. Essas operações integram a cadeia logística responsável pela movimentação de mercadorias entre regiões produtoras, unidades de armazenagem, indústrias e mercados consumidores.

O levantamento mostra ainda diferenças importantes entre as atividades de transporte. Enquanto o transporte rodoviário de cargas apresentou concentração de apenas 6,9% da receita nas oito maiores empresas, indicando um mercado mais pulverizado, atividades como transporte dutoviário e aéreo registraram níveis de concentração significativamente maiores.

No conjunto do setor de serviços, o transporte também aparece entre as atividades com maiores remunerações médias. O transporte dutoviário apresentou média de 21,1 salários-mínimos, seguido pelo transporte aquaviário, com 6,9, transporte aéreo, com 6,6, e transporte ferroviário e metroviário, com 5,5 salários-mínimos.

Para o agronegócio, os dados ajudam a dimensionar o peso dos serviços de logística na economia, especialmente em um país de grande extensão territorial, no qual a produção agrícola precisa percorrer longas distâncias até os centros de consumo, unidades industriais e pontos de exportação.

 

Fonte: NTC&Logística.

STF valida regras de seguro obrigatório no transporte de cargas

O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve as regras para a contratação dos seguros obrigatórios e o gerenciamento de riscos no transporte rodoviário de cargas previstas na Lei nº 14.599/2023. A decisão foi tomada no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7579, apresentada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A ação, protocolada em dezembro de 2023, questionava dispositivos da legislação que alteraram as regras dos seguros obrigatórios no transporte rodoviário de cargas. Com a conclusão do julgamento, os dispositivos questionados permanecem válidos.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) participou do processo como amicus curiae e defendeu a constitucionalidade das regras. Entre os pontos defendidos pela entidade está a participação do transportador na contratação dos seguros e no gerenciamento dos riscos relacionados à operação.

Relator da ação, o ministro Nunes Marques votou pela manutenção das regras. Segundo o ministro, o modelo definido pelo Congresso Nacional é constitucional e permite ao transportador participar da contratação dos seguros e do gerenciamento dos riscos.

O julgamento começou no Plenário Virtual do STF em abril e foi interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino. A análise foi retomada em 7 de agosto e concluída no dia 18. O acórdão, que formaliza a decisão do colegiado, ainda não foi publicado pelo STF.

Para o gerente de Relações Trabalhistas da CNT, Frederico Toledo, a decisão mantém a relação entre as responsabilidades do transportador e sua participação na contratação dos seguros e no gerenciamento de riscos.

“Existe uma relação direta entre a responsabilidade assumida pelo transportador e sua participação na contratação dos seguros e no gerenciamento de riscos. A decisão do STF mantém essa lógica e encerra o questionamento sobre a constitucionalidade das regras, trazendo maior segurança jurídica para o setor.”

 

O QUE ESTAVA EM DISCUSSÃO
A Lei nº 14.599/2023 alterou as regras aplicáveis aos seguros obrigatórios no transporte rodoviário de cargas. Entre as mudanças, estabeleceu a responsabilidade do transportador pela contratação dos seguros previstos para a atividade e novas regras para o PGR (Plano de Gerenciamento de Riscos).

Entre os argumentos apresentados pela CNI estava o de que as mudanças restringiam a liberdade de contratação e a livre concorrência. Em posição contrária, a CNT defendeu que o modelo amplia a autonomia do transportador na contratação dos seguros e no gerenciamento dos riscos da operação.

O tema integra a Agenda Institucional Transporte e Logística 2026, que reúne as principais pautas acompanhadas pela CNT nos três Poderes. No documento, a confederação defende a manutenção das regras da Lei nº 14.599/2023 e aponta que as mudanças contribuem para reduzir a burocracia e evitar perdas operacionais aos transportadores.

 

Fonte: Mundo Logística

Integração de dados prepara logística para uso estratégico da IA

A inteligência artificial começa a avançar na logística e a ocupar espaço em decisões cada vez mais próximas da operação. Antes, porém, de algoritmos assumirem tarefas complexas, empresas de transporte e operadores logísticos enfrentam um desafio mais básico: organizar e integrar os dados que sustentam as atividades.

A questão também ganha relevância nos portos. No acesso aos terminais, informações sobre disponibilidade de caminhões, documentação, horários de atendimento e fluxo de veículos precisam estar conectadas para que a tecnologia consiga identificar gargalos, antecipar problemas e reduzir o tempo de espera.

Segundo a consultoria Gartner, até o fim de 2026, 40% das aplicações corporativas deverão contar com agentes de inteligência artificial integrados, ampliando a capacidade dos softwares de interpretar informações, automatizar processos e apoiar decisões em tempo real.

No transporte rodoviário, responsável por cerca de 65% da movimentação de cargas no Brasil, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), um dos dados mais importantes para essa transformação é saber quais veículos estão efetivamente disponíveis para operar.

Para o CEO da Gestran, Paulo Raymundi, a qualidade dessas informações será determinante para que a inteligência artificial produza resultados concretos.

“A tecnologia só consegue apoiar decisões quando entende a realidade da operação. Recomendar rotas, redistribuir veículos ou antecipar gargalos depende da qualidade dos dados disponíveis sobre a frota. Se as informações sobre a disponibilidade dos veículos não refletem a realidade, qualquer recomendação parte de um cenário incompleto”, afirma.

 

Do caminhão ao porto

A localização do veículo é apenas uma das informações necessárias para a tomada de decisão. Um caminhão pode aparecer como ativo em um sistema de rastreamento e, ao mesmo tempo, estar parado para manutenção, aguardando motorista, envolvido em um sinistro ou submetido a alguma restrição operacional.

Segundo Raymundi, o problema é que esses dados ainda costumam estar distribuídos entre diferentes sistemas, planilhas e canais de comunicação.

“Hoje, praticamente toda transportadora possui rastreamento, sistemas de manutenção e diferentes controles operacionais. O problema é que essas informações costumam estar separadas. O gestor sabe onde está o caminhão, mas nem sempre sabe se ele está disponível para operar”, afirma.

Essa fragmentação ganha peso quando o caminhão entra no ambiente portuário. A disponibilidade da frota precisa estar integrada à programação de embarques e às janelas de atendimento dos terminais para evitar que veículos sejam direcionados a operações que não podem ser realizadas naquele momento.

O Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Cargas do Litoral Paulista (Sindisan) aponta o agendamento e o fluxo de veículos em pontos críticos, como o acesso ao Porto de Santos, entre os gargalos em que a integração de dados já apresenta resultados práticos.

Segundo a entidade, sistemas de agendamento permitem cruzar informações sobre a frota disponível com as janelas de atendimento dos terminais, contribuindo para reduzir o tempo de espera e a ociosidade dos caminhões.

A lógica é simples: quanto mais dados operacionais puderem ser integrados, menor será a necessidade de decisões baseadas em informações fragmentadas ou desatualizadas.

 

Base confiável

A integração também é considerada uma etapa anterior à adoção de aplicações mais sofisticadas de inteligência artificial.

Na avaliação do Sindisan, a tecnologia só entrega valor quando encontra uma base de informações confiável. Isso significa conhecer não apenas quais veículos estão cadastrados no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), mas quais estão documentados, disponíveis e efetivamente aptos a realizar uma operação.

O diagnóstico é semelhante ao apresentado pela Gestran. A empresa desenvolveu um módulo de Disponibilidade da Frota que reúne dados de rastreamento, manutenção, ocorrências e comunicação para indicar, em tempo real, a capacidade operacional efetiva dos veículos.

“A tecnologia reúne informações que já fazem parte da rotina operacional da plataforma, como rastreamento, manutenção, ocorrências e comunicação, para mostrar, em tempo real, quais veículos estão aptos para operar e qual é a capacidade operacional efetiva da frota”, explica Raymundi.

A plataforma também atualiza o status do veículo a partir das informações enviadas pelos motoristas. Quando um caminhão entra em manutenção ou registra uma ocorrência que o torna indisponível, sua condição operacional é alterada. Ao retornar à atividade, volta a integrar a capacidade disponível.

 

Próximo passo

A integração dos dados muda a própria função dos sistemas de gestão. Em vez de apenas registrar onde estão os ativos, as plataformas passam a oferecer uma visão sobre o que a operação pode realizar naquele momento.

Esse movimento tende a ganhar importância à medida que portos, transportadoras e outros elos da cadeia logística avancem na digitalização de seus processos.

Na Europa, a adoção está mais avançada. Segundo o relatório Connected Fleets in Europe 2026, da Geotab, 72% das frotas analisadas utilizam inteligência de localização em tempo quase real e 64% recorrem à inteligência artificial para otimizar rotas e reduzir gargalos.

No Brasil, o desafio ainda está na consolidação dessa infraestrutura de dados. O país reúne mais de 1 milhão de transportadores entre empresas, cooperativas e autônomos, segundo o RNTRC, formando uma operação extensa e pulverizada.

Para Raymundi, a tendência é que o gestor deixe de gastar tempo procurando informações em diferentes sistemas e passe a receber respostas diretamente da plataforma.

“A disponibilidade da frota é um dos primeiros indicadores a seguir esse caminho”, conclui.

 

Fonte: BE News

Receita Federal divulga roteiro para opção pelo Simples Nacional em 2027

O SINDISAN informa às empresas associadas que a Secretaria-Executiva do Comitê Gestor do Simples Nacional publicou o Roteiro da Opção pelo Simples Nacional para o ano de 2027, documento que reúne as orientações e os prazos para empresas que desejam ingressar no regime a partir do próximo ano.

Quem pode optar e quando

Empresas que já estão em atividade, mas ainda não são optantes do Simples Nacional, e empresas excluídas do regime — mesmo que a exclusão tenha ocorrido em 2026 com efeito apenas em 2027 — devem formalizar o pedido no Portal do Simples Nacional ou pelo e-CAC entre 1º e 30 de setembro de 2026. A opção aprovada produz efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027.

Antes da confirmação, o sistema faz uma análise prévia de pendências. Havendo irregularidades, a recomendação é confirmar o pedido mesmo assim, já que o prazo de regularização é de 30 dias contados da confirmação — e a data-limite de opção (30/09) não pode ser perdida.

Se o pedido for indeferido, a empresa recebe um Termo de Indeferimento para cada ente que apontou pendências, e tem até 30 dias corridos para regularizar a situação e/ou até 20 dias úteis para contestar o indeferimento junto ao ente responsável.

A solicitação de opção, aprovada ou não, pode ser cancelada até 30/11/2026, em caráter irretratável.

Empresas em início de atividade

Desde a implementação do Módulo Administração Tributária (MAT), em dezembro de 2025, a opção pelo Simples Nacional das empresas novas deve ser feita no próprio momento da inscrição do CNPJ, diretamente no Acompanhamento ao Protocolo Redesim. Empresas registradas em setembro que não fizerem a opção nesse momento ainda podem solicitá-la como empresa já constituída, dentro do prazo regular (até 30/09/2026).

IBS e CBS “por fora” do Simples

O documento também trata da opção pelo regime regular de apuração e recolhimento do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), tributos que, por padrão, são apurados “por dentro” do Simples Nacional e recolhidos via DAS. Empresas que preferirem recolher esses tributos separadamente devem optar pelo regime regular também entre 1º e 30 de setembro de 2026, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027. A opção só pode ser feita por quem já é optante do Simples Nacional. Novas janelas de opção (ou renúncia) ocorrem sempre em março e setembro de cada ano.

Simei sem alterações

A opção pelo SIMEI segue sem mudanças e deve ser feita em janeiro de 2027, até o dia 29/01/2027. É importante lembrar que, ao solicitar a opção pelo SIMEI, contribuintes que ainda não sejam optantes do Simples Nacional têm essa solicitação gerada automaticamente pelo sistema — não é necessário fazer as duas opções separadamente.

O roteiro completo, com o passo a passo detalhado, está disponível clicando neste link.

Fonte: SINDISAN

Mais Motoristas: candidatos têm até 3 de setembro para enviar documentação

Os cerca de 138 mil candidatos inscritos na edição 2026 do Programa Mais Motoristas, do SEST SENAT, entram a partir desta segunda-feira (24) em uma nova etapa do processo seletivo de mudança na categoria de habilitação para as classes C, D e E: o envio da documentação exigida no edital. Os candidatos terão até o dia 3 de setembro para apresentar os documentos solicitados.

O envio deve ser feito exclusivamente pelo Portal do Cliente do SEST SENAT (sestsenat.org.br/entrar), utilizando os dados cadastrados no momento da inscrição. Antes de concluir o procedimento, é importante conferir se todos os documentos estão corretos, legíveis e dentro das especificações solicitadas.

Não é necessário comparecer a uma unidade do SEST SENAT para entregar a documentação. Todo o procedimento de envio será realizado de forma virtual.

 

Confira os documentos necessários

  • CNH (Carteira Nacional de Habilitação);
  • comprovante de residência (consultar aqui os documentos válidos);
  • nada consta do Detran ou certidão de prontuário (emitir no site do Detran do seu estado);
  • certidão de antecedentes criminais (o candidato pode emitir aqui).

 

Validação dos documentos
A documentação enviada será submetida a um processo de verificação de autenticidade com apoio da inteligência artificial. A tecnologia será utilizada para agilizar a conferência das informações e dar mais eficiência ao processamento de conferência dado o volume de documentos recebidos.

O envio da documentação não significa o início imediato da formação e/ou da mudança de categoria da CNH. Após o envio, os documentos passarão ainda pela etapa de validação que é eliminatória. As convocações dos candidatos aptos para o início da formação ocorrerão posteriormente, de acordo com os critérios e com o cronograma estabelecidos no programa.

Os candidatos que atenderem aos requisitos poderão ser convocados para a formação até 2029, conforme previsto no edital. Por isso, é fundamental que os participantes acompanhem as comunicações oficiais e mantenham atualizados os dados de contato cadastrados.

As informações e eventuais convocações serão comunicadas pelo e-mail cadastrado e divulgadas nos canais oficiais do SEST SENAT. Os candidatos também podem acompanhar as redes sociais da instituição para receber orientações sobre o andamento do programa.

Em caso de dúvidas durante o envio da documentação, o candidato pode entrar em contato com o SEST SENAT pela seção Fale Conosco no site. O edital do Programa Mais Motoristas reúne as regras e os critérios da edição 2026.

Para mais informações consulte as perguntas frequentes no FAQ.

 

Programa Mais Motoristas
Em 2026, o Programa Mais Motoristas registrou uma adesão histórica, com cerca de 138 mil inscrições, demonstrando o interesse dos brasileiros pela oportunidade de obter a mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e se qualificar para atuar como motorista profissional.

O programa financia a mudança de categoria da CNH para as classes C, D e E, além de oferecer capacitação profissional. Para participar, é necessário ter pelo menos 19 anos, possuir CNH válida e não ter cometido infração gravíssima nos 12 meses anteriores à inscrição. As inscrições para a edição 2026 foram encerradas em 14 de julho.

 

Fonte: Agência CNT Atual