Redução de jornada: presidente do Sistema Transporte defende regras especiais para os setores essenciais

A Comissão Especial da Câmara dos Deputados realizou, nesta segunda-feira (18), audiência pública para discutir a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) nº 221/2019, que propõe a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. O encontro reuniu representantes das principais confederações patronais e foi presidido pelo deputado federal Alencar Santana (PT-SP), com a presença do autor da proposta, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). O objetivo foi avaliar os limites e as possibilidades da medida sob a perspectiva do setor produtivo.

O destaque da sessão foi a participação do presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, que alertou para os impactos diretos da proposta no segmento. “No caso específico do transporte, temos que garantir ônibus urbanos circulando sete dias por semana. Não há como retirar o direito do cidadão de utilizar o transporte público. Se reduzirmos a jornada, será necessário contratar pelo menos mais 250 mil motoristas em um momento de pleno emprego, quando já falta mão de obra especializada. Isso implicará aumento de custos e, consequentemente, inflação – o que pode reduzir o poder de compra do trabalhador”, afirmou.

Vander Costa alertou, ainda, que qualquer mudança precisa ser feita com transição gradual e, sobretudo, por meio de negociação coletiva, para que empresas e trabalhadores encontrem soluções adequadas sem comprometer a oferta de serviços essenciais.

De acordo com a CNT, o setor já opera com margens reduzidas e enfrenta escassez de mão de obra, o que torna inviável absorver custos adicionais sem repasse ao consumidor. “Se o custo do transporte aumentar, o preço dos produtos vai subir e vai gerar inflação. Isso significa perda do poder de compra para todos os trabalhadores”, destacou, defendendo que qualquer alteração seja feita de forma gradual e negociada coletivamente, garantindo equilíbrio entre proteção ao trabalhador e sustentabilidade das empresas.

A posição foi acompanhada por outras entidades. O diretor da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Alexandre Furlan, destacou que “a negociação coletiva é a palavra-chave”, lembrando que cada setor tem suas peculiaridades e que mudanças rígidas podem gerar impactos econômicos negativos. Já a advogada da diretoria Jurídica e Sindical da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), Luciana Diniz Rodrigues, reforçou que “a média de jornada já está abaixo das 44 horas semanais graças às negociações coletivas”, alertando que engessar regras poderia prejudicar trabalhadores e ampliar a informalidade.

Além da CNT, da CNI e da CNC, também participaram da audiência representantes da Fin (Confederação Nacional das Instituições Financeiras), da CNSaúde (Confederação Nacional da Saúde), da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), do Sistema OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), entre outros.

Assista aqui a audiência na íntegra

 

Sobre a PEC

A Comissão Especial da Câmara dos Deputados foi criada para analisar propostas de alteração na jornada de trabalho, como a PEC nº 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê a redução gradual da jornada de 44 para 36 horas semanais em dez anos, e a PEC nº 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe uma semana de quatro dias com limite de 36 horas.

Segundo o presidente da Comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), o colegiado seguirá com novos debates até a conclusão do relatório inicial, que será apresentado pelo deputado Leo Prates (REPUBLICANOS-BA) em 20 de maio. A votação do texto final está marcada para o dia 26 de maio.

 

Debate ganha força nas páginas de opinião

O tema também foi destaque nas páginas de opinião da imprensa. No artigo “Redução da jornada exige debate sem improviso”, originalmente publicado no portal Poder360, Vander Costa destacou a necessidade de conduzir mudanças na jornada de trabalho com equilíbrio e diálogo. “A questão central é como promover essas mudanças de forma sustentável e equilibrada, sem gerar efeitos colaterais indesejados sobre o emprego, os custos e o funcionamento da economia brasileira”, escreveu.

No texto, o presidente do Sistema Transporte citou estudo que estima impacto de até R$ 27 bilhões no setor de transporte caso a jornada seja reduzida para 36 horas semanais, além da necessidade de contratar cerca de 240 mil trabalhadores adicionais para manter o nível atual de serviço. Ele destacou que o transporte é uma atividade intensiva em mão de obra e absolutamente essencial para o funcionamento do país, alertando que modelos rígidos e uniformes tendem a desconsiderar as particularidades do setor.

“O Brasil pode, sim, avançar na direção de jornadas mais equilibradas. Mas isso deve ser feito com planejamento, responsabilidade e diálogo entre trabalhadores, empresas e instituições”, concluiu.

 

Fonte: Agência CNT Transporte Atual

Maio Amarelo reforça debate sobre segurança no transporte de produtos perigosos

O movimento Maio Amarelo, campanha nacional voltada à conscientização para a segurança viária, reforça neste ano a importância da prevenção também no transporte rodoviário de cargas. No segmento de produtos perigosos, o debate ganha dimensão ainda mais estratégica, já que a integridade operacional das atividades depende de uma ampla estrutura de gestão de risco, que envolve procedimentos técnicos, capacitação profissional e monitoramento operacional contínuo.

Para a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), reduzir ocorrências no setor vai muito além da condução segura do veículo. O transporte de produtos perigosos exige uma série de práticas preventivas integradas, que começam antes mesmo do início da viagem e seguem durante toda a operação.

Segundo Eduardo Leal, secretário executivo da ABTLP, a gestão de proteção nesse tipo de atividade deve ser tratada como um elemento central. “A segurança não pode ser vista apenas como uma exigência regulatória, mas como uma condição indispensável para que a operação aconteça. Sem procedimentos técnicos adequados, equipamentos específicos, capacitação contínua e rígido controle operacional, o transporte fica exposto a riscos que podem comprometer vidas, o meio ambiente, o patrimônio e a própria continuidade da operação”, afirma.

O dirigente destaca que campanhas de conscientização, como o Maio Amarelo, contribuem para fortalecer a cultura de prevenção no setor ao ampliar o debate sobre o cumprimento de normas específicas. “Campanhas educativas reforçam a importância da prevenção, da responsabilidade compartilhada e do cumprimento das normas de segurança. Isso está diretamente ligado às necessidades do transporte de produtos perigosos, onde qualquer falha operacional pode gerar impactos significativos”, explica.

Entre os principais fatores que contribuem para a redução de acidentes, estão a capacitação permanente dos motoristas, manutenção preventiva da frota, correta sinalização das cargas, análise prévia das rotas, gestão de risco e monitoramento constante das operações.

Para Leal, um dos principais efeitos positivos das campanhas de conscientização é justamente estimular a reflexão sobre os impactos das atitudes no trânsito. “As pessoas passam a refletir mais sobre as consequências que determinadas condutas imprudentes podem gerar, tanto para si quanto para os demais usuários das vias. Esse processo de conscientização é essencial para fortalecer uma cultura de prevenção no transporte”, pontua.

A ABTLP também reforça que a gestão de risco precisa começar antes mesmo da saída do veículo, por meio da avaliação criteriosa das condições da viagem, das rotas, dos equipamentos e dos procedimentos operacionais. Durante o Maio Amarelo, a entidade vem promovendo ações de conscientização voltadas ao setor, incluindo conteúdos técnicos, debates com associados e palestras com especialistas sobre segurança operacional e prevenção de acidentes. O objetivo é fomentar o debate ao longo do mês e reforçar a importância da prevenção no transporte.

 

Fonte: Caminhoneiros do Trecho

Move Brasil: conheça as regras para acessar os R$ 21,2 bilhões em crédito para caminhões

O governo federal publicou a portaria que regulamenta o acesso aos R$ 21,2 bilhões do programa Move Brasil, iniciativa voltada à renovação da frota de caminhões, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários no país. A nova etapa do programa amplia o escopo da linha de crédito operada pelo BNDES, que anteriormente era voltada apenas para caminhões.

Os recursos poderão ser utilizados por transportadores autônomos, cooperativas e empresas de transporte rodoviário de cargas e passageiros para aquisição de veículos novos e, em alguns casos, seminovos. O objetivo do programa é estimular a modernização da frota brasileira, reduzir emissões de poluentes, aumentar a segurança nas estradas e impulsionar a indústria nacional.

Segundo o governo federal, o orçamento total do programa será composto por R$ 14,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões do próprio BNDES.

A portaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estabelece que os veículos elegíveis deverão atender critérios mínimos de fabricação nacional, sustentabilidade e eficiência ambiental. No caso dos caminhões seminovos, o financiamento será permitido apenas para veículos fabricados a partir de 2012 e alinhados às exigências ambientais do Proconve 7.

Além de caminhões, o Move Brasil ampliado passa a contemplar ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias. A expectativa do governo é ampliar o alcance do programa para diferentes segmentos do transporte rodoviário e acelerar a renovação da frota circulante.

 

Condições conforme o perfil
As condições financeiras variam conforme o perfil do tomador. Para transportadores autônomos, o prazo de pagamento poderá chegar a dez anos, com até 12 meses de carência. Já para empresas, o financiamento terá prazo de até cinco anos, com até seis meses de carência. O limite máximo financiável será de R$ 50 milhões por cliente.

O programa também prevê condições diferenciadas para quem entregar um caminhão antigo para reciclagem ou desmonte. Nesses casos, os beneficiários poderão acessar juros mais baixos. O veículo usado deverá ter mais de 20 anos, estar em condição de rodagem e com documentação regularizada. Após a aprovação da operação, o proprietário terá prazo para comprovar a destinação correta do veículo para empresa recicladora autorizada.

Outro ponto previsto na regulamentação é a possibilidade de cobertura parcial das operações pelo Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), mecanismo criado para ampliar o acesso ao crédito e reduzir riscos para as instituições financeiras.

De acordo com o MDIC e o BNDES, o programa faz parte da estratégia do governo federal de estimular a neoindustrialização, reduzir emissões no transporte rodoviário e aumentar a competitividade logística do país.

 

Fonte: Agência Transporte Moderno

ANTT destaca validações e regras do CIOT no transporte

No portal, é possível acessar orientações e perguntas frequentes sobre os procedimentos operacionais e a emissão do código nas operações de transporte.

Entre as principais validações realizadas pelo sistema, estão: a validação do valor do frete em relação ao piso mínimo; avalidação de distância; a compatibilidade entre frete declarado e trajeto informado; e o limite de veículos por operação.

Com as recentes mudanças, o assunto é muito importante para transportadoras, embarcadores e empresas de logística, reforçando a necessidade de manter as operações em conformidade.

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Fonte: ANTT

Congresso Nacional prorroga MP sobre o piso mínimo do Transporte Rodoviário de Cargas e o CIOT

O Congresso Nacional publicou, no Diário Oficial da União de segunda-feira (11/05), o Ato que estende por mais 60 dias a vigência da Medida Provisória nº 1.343/2026, que trata de regras relacionadas ao piso mínimo do Transporte Rodoviário de Cargas e ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT).

A prorrogação faz parte do rito de tramitação das medidas provisórias quando a análise pelo Congresso não é concluída dentro do prazo inicial, e serve para manter a MP em vigor por mais 60 dias.

Na prática, a extensão da vigência da MP não altera os prazos previstos na Resolução nº 6.078 e na Portaria nº 06/2026, inclusive para o cadastramento das operações e a emissão obrigatória do CIOT.

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Fonte: NTC&Logística

NTC&Logística reforça atuação em Brasília sobre propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil

A NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística segue acompanhando de forma ativa as discussões relacionadas às propostas de redução da jornada semanal de trabalho em tramitação no Congresso Nacional – PEC 148/2015, PEC 08/2025 apensada à PEC 221/2019, PEC 4/2025 e PEC 40/2025, e PL 1.838/2026. A entidade atua em defesa dos interesses do setor produtivo brasileiro e, especialmente, das particularidades operacionais do Transporte Rodoviário de Cargas.

A preocupação do setor está diretamente ligada aos impactos econômicos e operacionais que uma eventual redução da jornada, sem amplo debate técnico e sem considerar as especificidades das atividades essenciais, pode gerar para a cadeia logística nacional, refletindo no aumento de custos, na competitividade das empresas e também na manutenção de empregos.

A entidade tem participado de reuniões, audiências e debates no Congresso Nacional, dialogando com parlamentares e lideranças políticas para apresentar os desafios enfrentados pelo Transporte Rodoviário de Cargas, considerado estratégico para o abastecimento do país e para o desenvolvimento da economia brasileira.

Entre as ações recentes promovidas pela NTC&Logística sobre o tema, destaca-se a realização do 5º Seminário Trabalhista do Transporte Rodoviário de Cargas, ocorrido em Brasília (DF), no dia 6 de maio de 2026, em parceria com a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados. O evento reuniu parlamentares, representantes do Ministério Público, Poder Judiciário, advocacia, empresários, trabalhadores e dirigentes do setor para discutir os impactos das propostas de redução da jornada no TRC.

A NTC&Logística defende que qualquer discussão sobre alteração na jornada semanal de trabalho seja construída de forma equilibrada, levando em consideração a realidade operacional de cada atividade econômica, especialmente dos setores considerados essenciais, como transporte, logística, saúde e segurança. A entidade também reforça que eventuais mudanças devem estar associadas ao aumento da produtividade e à sustentabilidade econômica das empresas.

Com base em estudo técnico da Confederação Nacional do Transporte (CNT), elaborado pelo professor José Pastore – cujos dados são utilizados pela NTC&Logística nas discussões em Brasília –, a proposta de redução da jornada para 40 horas semanais poderá gerar queda de 1,3% no PIB do transporte e a redução de aproximadamente 42 mil empregos no setor. Já no cenário de redução para 36 horas semanais, o impacto pode chegar a 2,6% de retração no PIB do transporte, além da redução estimada de 84 mil postos de trabalho e aumento de custos na ordem de R$ 28 bilhões.

Diante desse cenário, a NTC&Logística também tem trabalhado junto aos parlamentares na apresentação de emendas à PEC 8/2025, buscando garantir um tratamento mais adequado às atividades que exigem continuidade operacional e regime especial de trabalho, além de propor uma eventual redução gradual da jornada vinculada aos índices de produtividade nacional.

A entidade enfatiza ser fundamental a mobilização das federações, sindicatos, associações e empresários do Transporte Rodoviário de Cargas junto aos deputados federais das respectivas bases de representação, visando ampliar o debate técnico e institucional sobre um tema que impacta diretamente a economia, a logística e o abastecimento do Brasil.

 

Fonte: NTC&Logística

ANTT abre Audiência Pública para revisar regulamento do transporte rodoviário de produtos perigosos

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizará a Audiência Pública nº 7/2026 para colher subsídios e contribuições da sociedade sobre a proposta de revisão da Resolução ANTT nº 5.998/2022, que atualiza o Regulamento para o Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos e suas Instruções Complementares.

A iniciativa foi aprovada pela Diretoria Colegiada da Agência por meio da Deliberação ANTT nº 129, de 7 de maio de 2026, e busca aprimorar as regras aplicáveis ao transporte de cargas perigosas nas rodovias federais concedidas e em todo o sistema regulado pela Agência.

O período para envio de contribuições será das 9h do dia 15 de maio até as 18h do dia 28 de junho de 2026, sempre no horário de Brasília.

 

Participação social e aprimoramento regulatório

A revisão do regulamento faz parte do processo contínuo de modernização normativa conduzido pela ANTT, com foco no fortalecimento da segurança viária, na atualização de procedimentos operacionais e no alinhamento das regras brasileiras às melhores práticas técnicas e regulatórias do setor.

A proposta também busca ampliar a eficiência do transporte rodoviário de produtos perigosos, garantindo maior previsibilidade regulatória para transportadores, embarcadores e demais agentes envolvidos na cadeia logística.

 

Sessão pública híbrida

A sessão pública da Audiência Pública nº 7/2026 será realizada no dia 28 de maio de 2026, das 14h30 às 18h, em formato híbrido, permitindo participação presencial e virtual.

O encontro ocorrerá no auditório da sede da ANTT, em Brasília, localizado no Setor de Clubes Esportivos Sul (SCES), lote 10, trecho 3, Projeto Orla Polo 8, com capacidade para 350 participantes.

O endereço eletrônico para participação virtual será divulgado no dia 25 de maio de 2026, na página da audiência pública no portal da ANTT.

 

Documentos e orientações

Os documentos técnicos, orientações para participação e demais informações relacionadas à Audiência Pública nº 7/2026 estarão disponíveis a partir de 8 de maio de 2026 no portal da ANTT.

Dúvidas e esclarecimentos adicionais poderão ser encaminhados para o e-mail ap007_2026@antt.gov.br.

 

Fonte: ANTT

Transporte de cargas opera com defasagem média de 10%, aponta FETCESP

A alta do frete rodoviário em 2026 não tem representado ganho real para as transportadoras, segundo avaliação da Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP). De acordo com o presidente da entidade, Carlos Panzan, o aumento registrado no período reflete uma recomposição parcial diante da elevação dos custos operacionais, especialmente do diesel, e do crescimento da demanda impulsionado pela supersafra.

Segundo o Índice de Frete Rodoviário da Edenred Repom, o frete acumulou alta de 2,28% desde dezembro. Para a FETCESP, no entanto, o reajuste não eliminou a defasagem estrutural do setor, estimada em cerca de 10% no início de 2026.

“O ponto central é que o setor já iniciou o ano com uma defasagem estrutural relevante, estimada em cerca de 10% e, mesmo com a alta do frete, essa diferença não foi eliminada. Ou seja, o transportador continua operando com margens comprimidas, absorvendo parte significativa dos aumentos”, afirmou o executivo em entrevista à MundoLogística.

 

Diesel e custos operacionais pressionam o setor

Entre os fatores que mais pressionam a operação das empresas está o diesel, que pode representar entre 35% e 50% do custo do frete, chegando a até 70% em algumas operações. “Em 2026, o combustível registrou alta superior a 20% no primeiro trimestre, impactando diretamente o custo por quilômetro rodado e reduzindo a previsibilidade das operações”, disse.

Panzan também apontou outros fatores de pressão, como a alta no preço dos caminhões, o aumento e a escassez de mão de obra, os custos com seguros e as exigências regulatórias. A entidade citou ainda os efeitos da reoneração da folha e da implementação da Reforma Tributária, que, segundo o setor, ampliam a complexidade operacional e os custos de conformidade.

Outro ponto destacado pelo presidente é o alongamento dos prazos de pagamento do frete. Segundo Panzan, há casos em que o pagamento ocorre em até 180 dias. Para a entidade, isso compromete o fluxo de caixa das empresas, que precisam arcar de forma imediata com despesas como combustível, manutenção e folha de pagamento.

“Se esse cenário de descompasso entre custo, receita e prazo de pagamento se mantiver, existe um risco concreto de inviabilização de operações, especialmente para pequenas e médias transportadoras”, destacou.

Para o presidente, esse conjunto de fatores cria um ambiente de forte pressão sobre as empresas, em que o aumento do frete não é suficiente para recompor custos e a geração de caixa fica comprometida. “O resultado é um cenário de estrangulamento operacional, que pode limitar investimentos, reduzir capacidade de operação e, em casos mais críticos, comprometer a continuidade das atividades”, pontuou.

 

Demanda aquecida não garante aumento de rentabilidade

Mesmo em um cenário de demanda aquecida, a FETCESP avaliou que o aumento do volume transportado não garante melhora proporcional na remuneração do setor. Segundo o executivo, muitas empresas permanecem vinculadas a contratos já firmados e enfrentam dificuldades para repassar custos na mesma velocidade em que eles aumentam.

“Assim, o transportador pode trabalhar mais, assumir mais risco e ainda assim operar com margem reduzida”, ressaltou.

De acordo com levantamento da NTC&Logística citado pela federação, o frete rodoviário apresentava defasagem média de 10,1% no início de 2026. Para a FETCESP, o valor praticado no mercado ainda não acompanha integralmente os custos reais da operação.

Panzan afirmou que os primeiros impactos desse descompasso aparecem no fluxo de caixa e na capacidade de investimento das transportadoras. Segundo o setor, o cenário pode afetar a renovação de frota, investimentos em tecnologia, segurança e qualificação, além de dificultar a manutenção de contratos considerados sustentáveis.

“Com o tempo, esse desequilíbrio afeta a qualidade da operação, a previsibilidade do abastecimento e pode pressionar o preço final dos produtos”, afirmou o presidente da FETCESP.

Para os próximos meses, Panzan apontou como principais vetores do comportamento do frete o preço do diesel, a demanda por transporte, os custos regulatórios e tributários, a mão de obra, os seguros e o ambiente econômico. A entidade também acompanha os efeitos da reoneração gradual da folha e da Reforma Tributária sobre os custos operacionais do setor.

 

Fonte: Mundo Logística

CIOT para todos: ANTT disponibiliza documento técnico para geração e fiscalização do piso mínimo de frete

A Agência Nacional de Transportes Terrestres disponibilizou em seu sítio eletrônico, em cumprimento ao § 2º do art. 2º da Portaria SUROC nº 6, de 23 de abril de 2026, o Documento de Contrato de Serviço (DCS), contendo as especificações técnicas dos serviços destinados à geração do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), com foco na fiscalização do piso mínimo de frete.

A medida observa os parâmetros estabelecidos na Resolução ANTT nº 6.078/2026 e na Medida Provisória nº 1.343/2026, reforçando os critérios operacionais aplicáveis à contratação e ao controle das operações no Transporte Rodoviário de Cargas, especialmente no que se refere à obrigatoriedade do cumprimento do piso mínimo.

O documento passa a servir como uma referência técnica para transportadores, contratantes e demais agentes envolvidos nas operações de transporte, contribuindo para maior padronização dos processos, segurança jurídica e transparência nas relações comerciais do setor.

Disponível no portal oficial da ANTT, o DCS também fortalece os mecanismos de fiscalização, ampliando o controle sobre a geração do CIOT e o cumprimento das regras estabelecidas, em linha com a política pública voltada à valorização do transporte e à sustentabilidade econômica das operações.

Acesse o documento, clicando aqui.

 

Fonte: NTC&Logística

RNTRC: avanço nos cadastros expõe envelhecimento da mão de obra e acende alerta no transporte rodoviário

Apesar do crescimento expressivo no número de novos registros (RNTRC), o perfil dos motoristas autônomos segue levantando um sinal de alerta para o futuro do transporte rodoviário de cargas. Em 2025, foram emitidos 51.024 RNTRCs (Registro Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas) para transportadores autônomos (TACs), mas a idade média dos novos entrantes evidencia um problema estrutural: a baixa renovação da mão de obra.

O levantamento, realizado pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) com base em dados de MDF-e disponibilizados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mostra que 2025 registrou o segundo maior volume de novos cadastros em 21 anos,  atrás apenas de 2005, quando 68 mil profissionais ingressaram na atividade.

No entanto, por trás do volume positivo, o perfil etário preocupa. A média de idade dos novos TACs ficou em 42 anos, ainda próxima da média geral da categoria, de 46 anos. A entrada continua concentrada entre 35 e 50 anos, com pico entre 38 e 44 anos, além de uma presença relevante de novos motoristas acima dos 50.

Para Diumar Bueno, os dados reforçam um padrão recorrente de ingresso tardio na profissão. “Em muitos casos, são profissionais que migraram de vínculos formais, vieram de outros setores ou só conseguem adquirir um caminhão em fases mais avançadas da vida produtiva”, explica.

Outro dado que chama atenção é a retração da participação de jovens com menos de 25 anos. Entre os principais entraves estão o alto custo de aquisição e manutenção dos veículos, as dificuldades de acesso ao crédito e as condições operacionais da atividade, fatores que afastam novos talentos e dificultam a renovação do setor.

Por outro lado, o levantamento traz um sinal positivo, o avanço da presença feminina. Em 2025, as mulheres representaram 16,3% dos novos registros de TACs,  o maior percentual já registrado pela ANTT e bem acima da média atual da categoria, de 10,7%.

O contraste entre o aumento no número de cadastros e o envelhecimento dos novos profissionais reforça um desafio estratégico para o setor de atrair uma nova geração para garantir a sustentabilidade do transporte rodoviário de cargas nos próximos anos.

 

Fonte: O Carreteiro