São Paulo planeja maior túnel rodoviário do Brasil

O governo de São Paulo prepara a construção do maior túnel rodoviário do Brasil na nova pista da Rodovia dos Imigrantes, em projeto que avança na fase de planejamento. A estrutura deve concentrar cerca de 80% do trajeto sob a Serra do Mar, entre a capital e a Baixada Santista.

 

Travessia da serra entra em nova fase

A proposta altera de forma profunda a travessia entre o planalto e o litoral, hoje um gargalo para o transporte de carga e o turismo na região. A Serra do Mar, trecho mais sensível da ligação, combina alta demanda de veículos, relevo acidentado e presença de Mata Atlântica preservada.

O novo traçado pretende modernizar esse corredor estratégico sem repetir o modelo de pistas em viadutos e cortes extensos na encosta. Com o túnel abrigando a maior parte da pista, o governo estadual tenta responder à pressão por mais capacidade viária e, ao mesmo tempo, reduzir o impacto ambiental na serra.

 

Menos intervenção na Mata Atlântica

O desenho preliminar prevê que aproximadamente 80% do percurso da nova pista seja feito por dentro da montanha. A opção altera a lógica de expansão sobre a superfície, que historicamente abre clareiras, exige supressão de vegetação e interfere nos cursos d’água da Mata Atlântica.

A Serra do Mar abriga um dos últimos grandes contínuos desse bioma no país e concentra nascentes, fauna sensível e encostas instáveis. Colocar quase todo o caminho em túnel diminui a faixa de obra a céu aberto e restringe a área diretamente afetada.

Técnicos ouvidos ao longo da elaboração do conceito defendem que essa é a única forma de conciliar aumento de capacidade com preservação. A leitura é que, sem a solução subterrânea, qualquer ampliação da Imigrantes aprofundaria conflitos com órgãos ambientais e com a sociedade civil.

 

Infraestrutura, turismo e carga em jogo

A Rodovia dos Imigrantes segue como uma das principais portas de saída da produção industrial da Grande São Paulo rumo ao Porto de Santos e ao polo turístico da Baixada. Em fins de semana de verão e feriados prolongados, congestionamentos se arrastam por horas, com reflexos na economia local.

O governo aposta que a nova pista, apoiada no maior túnel rodoviário do país, alivie o tráfego e ofereça rota mais segura em trechos hoje marcados por neblina, curvas fechadas e riscos de deslizamentos. O transporte rodoviário de cargas deve ganhar previsibilidade e tempo menor de viagem, fator decisivo para a logística.

Para o turismo, uma travessia mais fluida tende a reduzir o custo de acesso às praias e estimular a ocupação hoteleira em períodos de alta. A expectativa na Baixada Santista é de reforço no fluxo de visitantes e no faturamento do comércio, condicionado, porém, ao cronograma da obra e à tarifa de pedágio que será praticada.

 

Desafio técnico e financeiro

A construção de um túnel de grande extensão sob a Serra do Mar se coloca, por outro lado, como um dos projetos mais complexos da engenharia rodoviária recente em São Paulo. A combinação de geologia heterogênea, lençóis d’água e necessidade de monitoramento constante de impactos exige tecnologia avançada e planejamento fino.

O setor de construção civil terá de lidar com escavações profundas, sistemas de ventilação em grande escala, saídas de emergência, drenagem e equipamentos de segurança adaptados ao alto fluxo de veículos. O custo total da obra ainda não é divulgado, mas a avaliação interna é que se trata de um investimento de longo prazo, com impacto relevante nos orçamentos públicos e nas concessões rodoviárias.

Ambientalistas acompanham com atenção os primeiros movimentos. A leitura predominante é que o conceito, em si, reduz a pressão direta sobre a Mata Atlântica, mas a execução precisa ser extremamente controlada para evitar danos subterrâneos, como alterações em cursos d’água e instabilidade de encostas.

 

Próximos passos e efeito demonstração

O projeto ainda não tem data definida para início das obras. As próximas etapas incluem detalhamento técnico do traçado, estudos de impacto ambiental, audiências públicas e definição de cronogramas e fontes de financiamento. Cada uma dessas fases pode impor ajustes, atrasos e até reconfigurações na extensão exata do túnel.

No governo paulista e entre órgãos de infraestrutura, a percepção inicial é positiva. A obra é tratada como chance de transformar um gargalo histórico em vitrine de infraestrutura com menor pegada ambiental, alinhada ao discurso de desenvolvimento sustentável.

Organizações ligadas ao meio ambiente, por sua vez, indicam que vão cobrar transparência na divulgação de dados, condicionantes rígidas nas licenças e monitoramento independente ao longo da construção e da operação. O sucesso ou o fracasso no cumprimento dessas etapas tende a definir o legado do projeto.

A longo prazo, a nova pista da Imigrantes e o maior túnel rodoviário do Brasil podem se tornar referência para obras em outras serras do país, hoje pressionadas pela demanda por novas ligações viárias. Se conseguir equilibrar mobilidade, segurança e preservação, o corredor entre São Paulo e litoral pode inaugurar um novo padrão de infraestrutura em áreas ambientalmente sensíveis.

 

Fonte: NC News

Empresas respondem por mais de dois terços do volume de cargas transportadas por rodovias

Dos alimentos que chegam aos supermercados aos insumos utilizados pela indústria, grande parte da produção brasileira depende do transporte rodoviário para percorrer o país. Por trás dessa movimentação, está um setor formado por diferentes perfis de operadores, no qual as empresas de transporte de cargas respondem pela maior parcela da atividade.

A dimensão dessa participação pode ser observada nos dados de produção do setor. Segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), as ETCs (Empresas de Transporte de Cargas) são responsáveis por 68,45% do volume de carga transportada, medido em TKU (toneladas por quilômetro útil), enquanto os transportadores autônomos respondem por apenas 12%. Desse total, mais da metade está vinculada às ETCs na condição de agregados ou exclusivos, ficando a cargo dos autônomos algo em torno de 5% do volume transportado. O indicador relaciona a quantidade de carga transportada à distância percorrida e ajuda a dimensionar a participação de cada categoria na atividade.

A participação na produção contrasta com a composição do setor. Embora o Brasil tenha 816.806 transportadores autônomos cadastrados, diante de 319.286 empresas de transporte de cargas, as ETCs reúnem 1.971.232 veículos registrados no RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas). Entre os autônomos, são 937.431 veículos.

A leitura conjunta dos indicadores revela que o número de operadores, isoladamente, não traduz a participação de cada categoria na produção do transporte. Mesmo em menor número entre os registros, as empresas reúnem cerca de 1,97 milhão de veículos e respondem por mais de dois terços da atividade medida em TKU.

Para o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, os indicadores ajudam a compreender como está estruturado o transporte rodoviário de cargas e a dimensão da atividade empresarial no país. “Quando falamos em transporte rodoviário de cargas, estamos falando de uma atividade que faz parte do dia a dia de toda a sociedade. É o transporte que conecta a produção, movimenta mercadorias e atende às diferentes necessidades da economia brasileira. Os dados mostram a dimensão da participação das empresas nessa atividade e a importância de garantir condições para que o setor continue operando com eficiência e contribuindo para o desenvolvimento do país”, afirma Vander Costa.

 

Fonte: Agência CNT Transporte Atual

Free flow começa a operar na Anchieta e Imigrantes em 1º de agosto; veja como será a cobrança

Motoristas que utilizam o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) passarão a contar, a partir de 1º de agosto, com um novo sistema de cobrança de pedágio. O free flow (pórticos eletrônicos) permitirá que os veículos passem pelos pedágios sem precisar parar nas cabines. A cobrança será feita pelos pórticos instalados no Km 33 da Via Anchieta e no Km 29 da Rodovia dos Imigrantes, nos dois sentidos, perto das atuais praças de pedágio.

A informação é da diretora da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), Raquel França Carneiro. Segundo ela, a mudança vai aumentar a fluidez do trânsito, reduzir acidentes e abrir caminho para a retirada definitiva das praças de pedágio ainda neste ano.

A principal mudança para os usuários será na forma de cobrança. Atualmente, os motoristas pagam R$ 40,60 apenas na descida da Serra do Mar. Com o free flow, haverá duas cobranças de R$ 20,30, uma em cada sentido.

Raquel afirma que a alteração beneficiará principalmente os caminhoneiros. Hoje, eles pagam a tarifa cheia na descida, quando estão com carga. Com o novo sistema, a tarifa será calculada separadamente em cada sentido e, como muitos retornam vazios e com menos eixos apoiados no solo, o valor da viagem de volta será menor.

Inicialmente, segundo a diretora, nada muda nas praças de pedágio das rodovias Padre Manoel da Nóbrega e Cônego Domênico Rangoni. A adoção do free flow nesses trechos será discutida após a consolidação do modelo no Sistema Anchieta-Imigrantes.

A Artesp estima que 77% dos veículos que circulam pelo Sistema Anchieta-Imigrantes já utilizam tag eletrônica — índice que chega a 71% entre os veículos de passeio e a 93% entre os comerciais. Para esses usuários, a cobrança continuará sendo automática.

Quem não possui tag poderá consultar os débitos e fazer o pagamento pela plataforma Siga Fácil, utilizando Pix, cartão de crédito ou os totens de autoatendimento da Ecovias Imigrantes.

Como determina a Resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o prazo para regularizar débitos de pedágios eletrônicos foi ampliado para 16 de novembro. Depois dessa data, deverá voltar a valer o prazo anterior, de 30 dias após a passagem pelos pórticos. Quem não fizer o pagamento estará sujeito a multa de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Não haverá descontos para usuários frequentes, como ocorre em concessões mais recentes. Segundo Raquel Carneiro, o contrato de concessão do Sistema Anchieta-Imigrantes substitui a tecnologia de cobrança, mas mantém o modelo tarifário atual.

Além da cobrança de pedágio, os pórticos farão parte do programa estadual Muralha Paulista, que compartilha informações em tempo real com a Polícia Militar Rodoviária. Os equipamentos identificam características dos veículos, como placa, categoria, peso e quantidade de eixos.

A diretora da Artesp destaca que a tecnologia tem 99,99% de precisão, mesmo em condições de chuva, neblina, placas parcialmente sujas ou veículos trafegando lado a lado.

Com a implantação do free flow, as atuais praças de pedágio permanecerão temporariamente abertas para a passagem livre dos veículos até que sejam parcialmente demolidas. A retirada definitiva das estruturas dependerá da implantação de um novo modelo de Operação Comboio, cujos testes terão início ainda no segundo semestre.

 

Fonte: G1 Santos

Programa do SEST SENAT que oferece gratuitamente mudança de categoria da CNH prorroga inscrições até 21 de julho

O SEST SENAT prorrogou até o dia 21 de julho o prazo de inscrições para o público geral no Mais Motoristas. A iniciativa oferece, gratuitamente, a mudança de categoria da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e a qualificação profissional para quem deseja atuar no transporte de cargas e de passageiros.
O programa contempla a mudança da CNH para as categorias C, D ou E, além da capacitação profissional oferecida pela Escola de Motoristas Profissionais do SEST SENAT.
Para participar, é necessário:

  • ter, no mínimo, 19 anos;
  • saber ler e escrever;
  • possuir CPF;
  • estar com a CNH válida para a mudança de categoria pretendida;
  • não estar com o direito de dirigir suspenso;
  • não ter cometido mais de uma infração gravíssima nos últimos 12 meses.

As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela internet, na página do programa Mais Motoristas.

Link para inscrições.

Link do edital.

Será gerado um ranking de seleção após o período de cadastros. O método prioriza mulheres no CadÚnico, seguidas por pessoas no CadÚnico, demais mulheres e público geral. Candidatos desempregados e com maior número de dependentes diretos largam na frente na classificação.

 

Sobre o programa

Criado em 2023, o Mais Motoristas já qualificou milhares de profissionais para atuar no setor. Em sua primeira edição, registrou mais de 55 mil inscritos em todo o país, evidenciando a elevada demanda por formação profissional.
O transporte é um dos principais motores da economia brasileira e depende do desenvolvimento contínuo de profissionais qualificados para garantir eficiência, segurança e competitividade às operações.

Fonte: SEST SENAT

Terceira pista da Rodovia dos Imigrantes tem acesso direto ao Porto de Santos avaliado pelo Governo de São Paulo

Quase seis meses depois de receber oficialmente o projeto, o Governo do Estado ainda não tem definição sobre a possibilidade de incluir o Corredor Porto-Indústria (Copi) nas obras da terceira pista da Rodovia dos Imigrantes.

Proposto pela Prefeitura de Cubatão, o Copi cria um acesso direto entre a futura pista e o Porto de Santos, sem passar pelas rodovias Anchieta e Cônego Domenico Rangoni, retirando parte do fluxo de caminhões das áreas urbanas da cidade industrial e permitindo maior fluidez no transporte de cargas.

Apesar de a ideia ter sido apresentada em 29 de janeiro pelo prefeito de Cubatão, César Nascimento (PSD), durante reunião com o secretário estadual de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, a pasta respondeu, em nota, que “está analisando tecnicamente o projeto”. Antes, o Copi já tinha sido apresentado em audiência pública do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) e submetido ao Conselho da Autoridade Portuária (CAP).

A Secretaria Estadual de Parcerias em Investimentos (SPI) afirma que o fato de a proposta ter ligação com os estudos da futura terceira pista da Imigrantes faz com que seja avaliada “de forma integrada, considerando aspectos técnicos, operacionais, ambientais, logísticos e econômico-financeiros”. O Estado afirma manter “diálogo institucional com a Prefeitura de Cubatão e demais órgãos envolvidos”.

O Governo Estadual nada mencionou a respeito de uma possível parceria com a União no empreendimento, embora questionado pela Reportagem. O Governo Federal afirma que um estudo feito pela Infra S.A. sobre o corredor deve ser apresentado no final deste mês. A informação foi confirmada para A Tribuna pelo ministro dos Transportes, George Santoro, em visita ao Porto de Santos, na última terça-feira.

Caso o resultado da análise seja favorável, Santoro disse que iniciará tratativas com o Estado.

O combinado

Concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), a Ecovias Imigrantes explica que “o projeto da terceira pista (de responsabilidade da empresa) atende à solicitação do Governo do Estado para uma nova ligação entre a região do Planalto e a Baixada Santista, com vocação para veículos pesados, mínimo impacto ambiental e capacidade para atender a demanda de tráfego atual e futura”.

Segundo a empresa, “novos projetos ou obras complementares, que não estejam no escopo inicial, devem ser submetidos à análise e aprovação do Governo”.

 

Estudos

Com cerca de 13,5 quilômetros de extensão, o Corredor Porto-Indústria prevê duas faixas de rolamento por sentido, com acostamento e dimensionadas para tráfego pesado. De acordo com cálculos feitos pela Prefeitura, a via teria capacidade para circulação de até 20 mil veículos por dia.

Em nota, a Prefeitura informa que acompanha todas as discussões relacionadas ao projeto.

“Desde a apresentação da proposta, a Administração Municipal tem mantido diálogo institucional com os governos do Estado, Federal, a Infra S.A., autoridades ligadas ao setor de infraestrutura, logística e transportes, além de representantes da iniciativa privada e demais instituições envolvidas no desenvolvimento regional”.

A Prefeitura acrescenta que entende que empreendimentos dessa magnitude exigem análises técnicas aprofundadas e criteriosas, contemplando aspectos de engenharia, mobilidade, logística, meio ambiente, viabilidade econômico-financeira e integração com outros projetos estruturantes. “Por essa razão, respeita o trabalho que vem sendo conduzido pelos órgãos competentes e acompanha atentamente a evolução dos estudos”.

A Prefeitura de Cubatão considera “extremamente positiva” a participação de diferentes instituições na avaliação do projeto. “Não há espaço para disputas entre propostas ou protagonismos institucionais quando o objetivo é solucionar um dos principais gargalos logísticos do País”.

A Administração diz que toda contribuição técnica é bem-vinda e fortalece a construção de uma solução consistente. A Prefeitura defende ainda que o debate esteja concentrado na busca pela melhor alternativa para o interesse público, “seja por meio da integração do Copi à futura terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, seja por outro modelo de implantação que venha a ser considerado tecnicamente mais adequado”.

“O fundamental é que a região avance para uma solução definitiva. Os desafios enfrentados por Cubatão e pelo Porto são urgentes”.

 

Fonte: A Tribuna

Reforma Tributária gera corrida de transportadoras para revisar créditos de ICMS

A proximidade da transição da Reforma Tributária tem levado transportadoras de todo o país a intensificar a revisão de seus créditos acumulados de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O movimento ganhou força após especialistas alertarem que os saldos existentes poderão representar um importante ativo financeiro durante a migração para o novo sistema tributário, enquanto eventuais erros ou créditos não aproveitados podem resultar em perdas definitivas.

A preocupação cresce especialmente entre empresas que acumulam créditos relacionados a combustíveis, peças, pneus e manutenção da frota, itens que possuem tratamento específico na legislação atual.

 

Empresas buscam recuperar créditos antes da transição

O setor de transporte vive uma verdadeira corrida para revisar sua escrituração fiscal. O objetivo é identificar créditos de ICMS que deixaram de ser apropriados nos últimos anos ou que ainda podem ser utilizados antes da substituição gradual do imposto pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Segundo especialistas, muitas transportadoras nunca realizaram uma auditoria tributária completa e podem possuir valores relevantes que permanecem sem aproveitamento por falhas operacionais ou interpretações restritivas da legislação.

 

Combustível e manutenção estão entre os principais créditos

Entre os créditos mais analisados pelas empresas estão aqueles relacionados ao consumo de diesel, aquisição de pneus, compra de peças, manutenção dos veículos e demais insumos utilizados diretamente na atividade de transporte.

Embora a legislação varie conforme o estado e o tipo de operação, esses itens costumam concentrar parte significativa dos créditos tributários das transportadoras, tornando a revisão ainda mais estratégica neste momento de transição.

 

Reforma Tributária aumenta urgência

A implementação do IBS e da CBS mudará completamente a lógica da tributação sobre o consumo no Brasil. Durante o período de transição, empresas precisarão conviver simultaneamente com o modelo atual e o novo sistema, exigindo maior controle sobre seus créditos fiscais.

A movimentação das empresas ocorre porque os créditos de ICMS acumulados ao longo dos anos representam um ativo importante para o caixa das transportadoras, especialmente em um momento de aumento dos custos operacionais.

Nas operações de longa distância, de acordo com o levantamento da consultoria ILOS, o combustível responde, sozinho, por 39% dos custos totais do transporte rodoviário. A recente alta do petróleo, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio, elevou ainda mais essa despesa e reforçou a necessidade de recuperar créditos tributários que possam aliviar o impacto financeiro.

 

Auditoria tributária ganha papel estratégico

Diante desse cenário, escritórios de contabilidade e consultorias tributárias registram aumento na procura por revisões fiscais voltadas especificamente ao setor de transportes.

Além de recuperar valores eventualmente esquecidos, o trabalho busca validar a documentação fiscal, conferir a correta escrituração dos créditos e reduzir riscos de autuações futuras durante a convivência entre os dois modelos tributários.

A recomendação é que as empresas não aguardem o início efetivo da cobrança do IBS para realizar esse diagnóstico, já que a adaptação tecnológica e fiscal exigirá tempo e planejamento.

 

Planejamento será decisivo

Para especialistas, a Reforma Tributária transforma os créditos tributários em um dos principais pontos de atenção para o setor de transporte. Empresas que iniciarem agora a revisão de seus saldos terão mais condições de aproveitar os créditos existentes, ajustar seus sistemas e adaptar seus processos à nova realidade tributária.

Além da recuperação de créditos, o momento também exige revisão de contratos, parametrização dos ERPs e atualização das regras fiscais, preparando as transportadoras para a substituição gradual do ICMS pelo IBS ao longo do período de transição.

 

Fonte: APET

Frete mínimo e CIOT entram em nova fase de discussão no Congresso

A discussão sobre o frete mínimo voltou a ganhar força no transporte rodoviário de cargas com a tramitação da Medida Provisória 1.343/2026. O texto aprovado pela Câmara dos Deputados foi encaminhado ao Senado e ainda precisa ser analisado antes da conclusão do prazo de vigência da medida.

A proposta tem como eixo central o reforço das regras de controle e fiscalização das operações de transporte. Entre os principais pontos estão o cadastramento da operação, a geração do Código Identificador da Operação de Transporte, o CIOT, e medidas administrativas voltadas ao cumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

Na prática, o tema interessa diretamente a caminhoneiros autônomos, transportadoras, embarcadores e empresas que contratam frete. A intenção da medida é ampliar a rastreabilidade das operações e dificultar a contratação de transporte por valores abaixo do piso mínimo previsto para a atividade.

Para quem vive da estrada, a pauta tem impacto direto na remuneração da viagem. O frete mínimo é visto por muitos profissionais como uma proteção contra contratações que não cobrem os custos básicos da operação, especialmente em um cenário de diesel caro, pedágios reajustados, manutenção elevada, pneus, alimentação, estadia e tempo parado.

Do lado de setores produtivos, a preocupação está no efeito das regras sobre o custo logístico. Indústria, agro, comércio e embarcadores acompanham o tema porque mudanças na contratação do frete podem influenciar o preço final da movimentação de cargas, a flexibilidade das negociações e a competitividade das cadeias de abastecimento.

O debate, portanto, não se resume a uma disputa entre quem transporta e quem embarca. Ele envolve a tentativa de equilibrar remuneração mínima, fiscalização eficiente, segurança jurídica e viabilidade econômica para todos os lados da cadeia logística.

Além dos pontos ligados ao piso mínimo e ao CIOT, o texto aprovado pela Câmara recebeu outras alterações durante a tramitação. Por isso, a análise no Senado também deve envolver negociações sobre o alcance final da medida e sobre eventuais ajustes antes da votação.

Para o caminhoneiro autônomo, o acompanhamento é importante porque a MP pode influenciar a forma como as operações serão registradas, fiscalizadas e remuneradas nos próximos meses. Também pode alterar a relação entre motoristas, transportadoras, empresas contratantes e intermediadores de carga.

Enquanto a tramitação não é concluída, a recomendação é manter atenção aos canais oficiais, às entidades representativas e às próximas etapas no Congresso. No transporte rodoviário, mudanças nas regras do frete não ficam apenas no papel: elas aparecem na negociação da carga, na emissão dos documentos e no resultado final da viagem.

No centro da discussão está uma pergunta que segue aberta para o setor: como garantir que o transporte seja remunerado de forma justa sem comprometer a eficiência e a competitividade da logística brasileira?

 

Fonte: Revista Caminhoneiro

Índice CNT revela baixa confiança do transportador paulista e acende alerta para o setor

Amigos transportadores,

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou o resultado da Pesquisa Índice CNT de Confiança do Transportador, importante indicador que apresenta a percepção do setor em relação ao cenário atual e às expectativas para os próximos seis meses.

Em âmbito nacional, o índice permanece abaixo dos 50 pontos, o que demonstra que a confiança do transportador ainda se encontra em um patamar limitado. Ao mesmo tempo, quando observamos a evolução em relação às pesquisas anteriores, é possível identificar uma melhora gradual, sinalizando que parte do setor começa a enxergar perspectivas um pouco mais positivas para o ambiente político e econômico.

No entanto, quero chamar atenção para um dado que merece profunda reflexão. No Estado de São Paulo, o índice de confiança ficou em apenas 41,2%, o menor resultado registrado desde 2023.

Esse número não pode ser analisado de forma isolada. Ele reflete um conjunto de fatores que tem pressionado diariamente as empresas de transporte rodoviário de cargas.

Os juros elevados continuam dificultando investimentos, especialmente aqueles voltados à renovação de frota. As incertezas econômicas permanecem presentes, somadas às indefinições sobre temas essenciais para o setor, como a política de frete, o CIOT, o piso mínimo e outras questões regulatórias. Além disso, a desaceleração da atividade econômica impacta diretamente o transporte. Somos uma atividade-meio. Quando a economia reduz seu ritmo, o transporte sente os efeitos de forma imediata.

Esse cenário limita a capacidade das empresas de crescer, investir, gerar empregos e planejar o futuro com segurança.

É justamente diante desse contexto que a FETCESP tem intensificado sua atuação institucional.

Estamos trabalhando junto ao Governo Federal para ampliar alternativas de financiamento com juros mais acessíveis, de modo que o transportador tenha melhores condições para renovar sua frota e investir em eficiência, segurança e sustentabilidade. Também participamos ativamente das mesas de negociação, tanto em âmbito estadual quanto nacional, sempre defendendo melhores condições para o exercício da atividade transportadora.

Além disso, firmamos uma importante aproximação com a FIESP e o CIESP, com o objetivo de fortalecer o diálogo entre embarcadores e transportadores, reduzir gargalos da cadeia logística e construir soluções conjuntas para temas que impactam diretamente a competitividade do setor.

A Federação trabalha diariamente para contribuir com a construção de um ambiente mais favorável ao transporte rodoviário de cargas. No entanto, nenhuma entidade consegue avançar sozinha.

Quanto maior for a participação dos transportadores, maior será nossa força para negociar, representar e conquistar avanços concretos para todo o setor.

Por isso, faço um convite a cada empresário e transportador: participe do seu sindicato. É nesse espaço que construímos nossas pautas, fortalecemos nossa representatividade e defendemos, de forma organizada, os interesses da categoria.

Juntos, nossa voz tem muito mais força.

Tenho convicção de que, com união, diálogo e trabalho contínuo, criaremos as condições necessárias para recuperar a confiança do transportador e, nas próximas pesquisas, alcançar resultados mais positivos para o nosso setor.

 

Carlos Panzan

Presidente da FETCESP

Pedágios em SP terão reajuste a partir de julho; Imigrantes tem o mais caro do país

valor do pedágio do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) será reajustado em 4,91% em julho. Com o aumento, a tarifa nas rodovias Anchieta (SP-150) e Imigrantes (SP-160) passará de R$ 38,70 para R$ 40,60, mantendo-se como a mais alta do país.

O reajuste foi homologado pela Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) e publicado no Diário Oficial desta terça-feira (23). As novas tarifas da Ecovias Imigrantes entram em vigor à 0h do dia 1º de julho de 2026.

Segundo a deliberação da Artesp, os novos valores passam a valer para veículos de passeio e comerciais a partir da 0h de 1º de julho. O reajuste integra a atualização anual das tarifas prevista nos contratos de concessão das rodovias estaduais paulistas.

No início de 2026, a Artesp anunciou que a praça de pedágio do SAI será substituída por pórticos free flow, que registram a cobrança conforme a passagem do veículo. Atualmente, a tarifa é aplicada apenas para quem desce a serra. Com a mudança, o valor será dividido: metade na subida à capital e metade para quem segue ao litoral (veja mais abaixo).

Confira os valores atuais e os novos valores das praças de pedágio da Ecovias Imigrantes:

Rodovia dos Imigrantes (Piratininga – km 32)

  • Atual: R$ 38,70
  • Novo: R$ 40,60
  • Aumento: R$ 1,90 (4,91%)

 

Via Anchieta (Riacho Grande – km 31)

  • Atual: R$ 38,70
  • Novo: R$ 40,60
  • Aumento: R$ 1,90 (4,91%)

 

Rodovia Cônego Domênico Rangoni (Santos – km 250)

  • Atual: R$ 18,30
  • Novo: R$ 19,20
  • Aumento: R$ 0,90 (4,92%)

 

Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (São Vicente – km 280)

  • Atual: R$ 10,90
  • Novo: R$ 11,40
  • Aumento: R$ 0,50 (4,59%)

 

Veja abaixo os pedágios mais caros:

Rodovia Tarifa de pedágio
Rodovia dos Imigrantes (SP-160) R$ 40,60***
Rodovia Anchieta (SP-150) R$ 40,60***
Cujubim (BR-364) R$ 37**
Pimenta Bueno (BR-364) R$ 35,40
Rodovia dos Lagos (RJ-124) R$ 30,60*
Curitiba-Paranaguá (BR-277) R$ 24
Juiz de Fora-Rio de Janeiro (BR-040/495 R$ 21
Magé-Manilha (BR-493) R$ 20,10
Pelotas-Rio Grande do Sul (BR-116/392) R$ 19,60
Ermênio de Oliveira Penteado (SP-075) R$ 19,40

Pesquisa CNT de Rodovias 2026 inicia etapa de campo para avaliar a infraestrutura viária do país

A CNT deu início, nessa segunda-feira (29), à etapa de campo da Pesquisa CNT de Rodovias 2026, o mais amplo e tradicional levantamento sobre as condições da infraestrutura rodoviária brasileira. Nesta edição, 23 pesquisadores percorrerão mais de 117 mil quilômetros de rodovias pavimentadas em aproximadamente 30 dias, um crescimento de 2,5% em relação a 2025.

A operação teve início em 13 cidades distribuídas pelas cinco regiões do país — com exceção de Macapá (AP), cuja equipe iniciará os trabalhos posteriormente — e avaliará rodovias de todos os estados do Brasil. A saída de campo é realizada em parceria com federações estaduais do transporte. Os pesquisadores partiram de Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Manaus (AM), Rio Branco (AC), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), Maceió (AL) e Teresina (PI).

Reconhecida como referência nacional na avaliação da malha rodoviária, a Pesquisa CNT de Rodovias chega ao seu 31º ano abrangendo 100% das rodovias federais pavimentadas, os principais trechos estaduais e todas as rodovias concedidas. O levantamento permite acompanhar a evolução da infraestrutura ao longo do tempo e identificar os principais desafios enfrentados pelo transporte rodoviário, com o objetivo de servir de base para análises técnicas, estudos setoriais e tomadas de decisão.

Durante o trabalho de campo, os pesquisadores avaliarão as características do pavimento, da sinalização e da geometria das vias. Todo o percurso será registrado por câmeras instaladas nos veículos de pesquisa, enquanto os dados serão coletadas em sistema digital padronizado, garantindo precisão e uniformidade nos resultados.

A edição de 2026 da Pesquisa CNT de Rodovias incorpora novas soluções tecnológicas que tornam a coleta e o processamento das informações ainda mais ágeis, precisos e seguros. Entre as novidades estão a utilização de sensores em todas as rotas para ampliar os estudos sobre as condições do pavimento, a transmissão de dados via satélite em parte do percurso e a centralização do processamento em uma infraestrutura própria da CNT, com base em nuvem privada e recursos de inteligência artificial.

As inovações ainda incluem um sistema de identificação imediata de falhas nas imagens captadas em campo, reduzindo o tempo de correção de inconsistências, além da ampliação da avaliação remota das rodovias, empregada tanto na auditoria das rotas quanto no aprimoramento dos modelos de IA. Com essas melhorias, a Pesquisa ganha mais eficiência operacional, maior capacidade de processamento e ainda mais confiabilidade nos resultados.

A diretora executiva da Confederação, Fernanda Rezende, destaca que os resultados são amplamente utilizados por transportadores, investidores, pesquisadores e gestores públicos. “A Pesquisa CNT de Rodovias oferece um diagnóstico técnico da infraestrutura viária e transforma esse conhecimento em subsídios para tomada de decisão de gestores de empresas e do poder público, direcionamento de investimentos e ações que contribuam para um transporte mais seguro, eficiente e competitivo para o país”, afirma.

 

Pesquisa completa mais de três décadas como referência

Realizada há 31 anos, a Pesquisa forma uma série histórica que permite avaliar avanços, identificar gargalos e apoiar decisões estratégicas para o transporte e a logística. Com dados técnicos coletados de maneira padronizada e abrangente, o levantamento amplia o conhecimento sobre as condições das rodovias e reforça a importância dos investimentos em infraestrutura.

Nos últimos anos, a Pesquisa CNT de Rodovias passou por um processo contínuo de modernização tecnológica. O uso de ferramentas digitais, sistemas automatizados de análise e recursos de inteligência artificial amplia a capacidade de processamento das informações e contribuído para o aprimoramento da qualidade dos diagnósticos.

 

Fonte: CNT