Move Brasil atrela financiamento à renovação da frota e à redução de emissões

O anúncio do programa Move Brasil foi recebido de forma positiva por agentes ligados à sustentabilidade e à transição climática no transporte. Apresentada pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a iniciativa prevê R$ 10 bilhões em linhas de crédito para a renovação da frota de caminhões no país, com condições financeiras atreladas a critérios ambientais.

A proposta busca acelerar a modernização logística, reduzir emissões e ampliar a inclusão produtiva, ao vincular juros mais baixos à substituição de veículos antigos por modelos mais eficientes.

A medida também reforça o papel das políticas públicas como indutoras da descarbonização em um dos setores historicamente mais intensivos em emissões de gases de efeito estufa.

 

Financiamento como instrumento de política climática

No transporte rodoviário de cargas, a maior parte das emissões está concentrada no chamado Escopo 3 — a cadeia de valor — do Protocolo GHG, padrão global utilizado por empresas e governos para medir e reportar emissões. Dados do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) indicam que esse escopo figura entre os principais desafios atuais da agenda climática.

Para Odair Rodrigues, CEO da B4, primeira Bolsa de Ação Climática do Brasil, o Move Brasil representa um avanço relevante ao alinhar política industrial, financiamento público e combate às mudanças climáticas.

“Ao vincular crédito mais barato a critérios de sustentabilidade e à retirada de veículos antigos de circulação, o governo começa a tratar a transição climática como política econômica e não apenas ambiental”, avalia.

 

Estrutura do programa e foco em caminhoneiros

Operado integralmente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o programa contará com R$ 6 bilhões em recursos do Tesouro Nacional e R$ 4 bilhões do próprio banco. Do total, R$ 1 bilhão será destinado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperados.

O objetivo é estimular a substituição de caminhões antigos por modelos mais eficientes, com destaque para veículos elétricos ou movidos a biometano, que terão acesso a taxas de juros mais baixas. O financiamento também contempla caminhões novos e seminovos que atendam aos requisitos ambientais do Proconve 7, desde que fabricados a partir de 2012.

O programa prevê ainda benefícios adicionais para quem entregar veículos antigos para desmonte. Para isso, o caminhão deve estar em condições de rodagem, com licenciamento regular a partir de 2024 e mais de 20 anos de emplacamento original.

A baixa definitiva no órgão de trânsito e a entrega à empresa de desmontagem deverão ser comprovadas à instituição financeira em até 180 dias após a liberação do crédito.

 

Prazos, regras e impacto estrutural

De acordo com a regulamentação aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), os financiamentos poderão ter prazo de até 60 meses, com carência de até seis meses para o início do pagamento, sem capitalização de juros no período. As solicitações poderão ser protocoladas até 30 de junho de 2026.

Na avaliação de Rodrigues, a relevância do Move Brasil vai além da renovação da frota. Segundo ele, o programa cria um precedente ao usar o sistema financeiro como instrumento de indução de comportamentos ambientalmente responsáveis.

“Medidas como essa ajudam a reduzir emissões na origem e diminuem a pressão futura sobre mecanismos de compensação. O mercado de carbono funciona melhor quando vem acompanhado de políticas públicas que atacam diretamente as fontes de poluição”, afirma.

O executivo acrescenta que iniciativas desse tipo contribuem para organizar dados, padrões e critérios ambientais, elementos essenciais para dar escala e credibilidade ao mercado de carbono regulado no Brasil. “A crise climática exige ações estruturais, e o Move Brasil mostra que é possível alinhar desenvolvimento econômico, política industrial e responsabilidade climática”, conclui.

 

Fonte: Transporte Moderno

Porto de Santos avança para se tornar referência global em logística verde e conectada

O Porto de Santos vive um momento de transformação estratégica, que une inovação tecnológica e responsabilidade ambiental. Alinhada às diretrizes do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) para modernizar a infraestrutura nacional, a Autoridade Portuária de Santos (APS) está tirando do papel um pacote de projetos que inclui desde a implantação de redes 5G e Gêmeos Digitais (Digital Twin) até a oferta de energia limpa para navios atracados. O objetivo é posicionar o maior complexo portuário do hemisfério sul como um “Porto Inteligente” (Smart Port), seguindo as melhores práticas internacionais de eficiência logística e transição energética.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, as inovações em andamento provam ser possível alinhar desenvolvimento e responsabilidade ambiental. “O que estamos vendo em Santos é a materialização do conceito de ‘Porto do Futuro’. Não existe mais separação entre crescer e preservar. Ao investir em tecnologia de ponta, como o 5G e em energia limpa, o governo federal prova que é possível ter o maior porto do Hemisfério Sul operando com máxima eficiência logística e, ao mesmo tempo, liderando a agenda global de descarbonização”, disse.

Já o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, destaca o salto de qualidade operacional que as novas ferramentas trarão para a gestão do complexo. “A implementação do VTMIS e das ferramentas de Gêmeo Digital muda o patamar de gestão do Porto de Santos, trazendo previsibilidade e segurança para a navegação. Estamos dotando o principal ativo logístico do país com inteligência de dados e infraestrutura sustentável, alinhando nossas operações às práticas dos portos mais avançados da Europa e da Ásia”, avaliou.

 

Logística de baixo carbono

A tecnologia caminha de mãos dadas com a sustentabilidade. O Porto de Santos avança no projeto de eletrificação do cais (o sistema Onshore Power Supply). A iniciativa permitirá que navios desliguem seus motores a combustão enquanto estiverem atracados, conectando-se à rede elétrica do porto. Isso reduz drasticamente a emissão de gases de efeito estufa e o ruído na região portuária.

O diferencial de Santos é a origem dessa energia: ela é 100% renovável, gerada pela histórica Usina Hidrelétrica de Itatinga, ativo gerido pela própria autoridade portuária. A usina passa por um processo de repotencialização, que inclui estudos para a produção de hidrogênio verde (H2V), combustível do futuro, que poderá abastecer máquinas e veículos no complexo.

 

Incentivo verde

Para estimular o mercado a aderir a essa nova realidade, o porto também aposta em incentivos econômicos. A APS prorrogou e ampliou a política de descontos tarifários para os chamados “navios verdes”; embarcações que possuem boa pontuação no Índice Ambiental de Navios (ESI, da sigla em inglês). A medida beneficia armadores que investem em frotas menos poluentes, reforçando o compromisso do governo federal com a descarbonização da cadeia logística.

Para o Ministério de Portos e Aeroportos, as iniciativas em Santos servem de modelo para o setor, provando que é possível conciliar o aumento da movimentação de cargas com a proteção ambiental e a inovação tecnológica.

 

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos

SEST SENAT e PRF ampliam parceria para saúde, segurança e campanhas educativas nas estradas

O SEST SENAT e a PRF (Polícia Rodoviária Federal) firmaram, em dezembro do ano passado, um acordo de cooperação técnica para intensificar ações integradas de promoção da saúde, segurança viária e proteção social voltadas aos motoristas profissionais que trafegam pelas rodovias federais. O acordo tem vigência de 60 meses e prevê a integração de esforços para ampliar o alcance das iniciativas das duas instituições.

O principal eixo da cooperação é a retomada do Comando de Saúde Preventivo, que oferece atendimentos gratuitos de saúde, orientações para a melhoria da qualidade de vida e ações educativas voltadas à redução de acidentes. As atividades utilizam a estrutura do SEST SENAT e contam com o apoio operacional da PRF para a organização e abordagem nas rodovias, com a previsão de ao menos quatro edições ao longo deste ano, em trechos estratégicos com o maior índice de acidentes com veículos pesados.

O acordo também fortalece o projeto Proteção com campanhas de enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes, capacitação de motoristas como agentes de proteção e divulgação de canais de denúncia, como o Disque 100.

A cooperação ainda amplia a atuação de outras iniciativas do SEST SENAT voltadas à segurança e ao bem-estar dos trabalhadores do transporte. Entre elas, está o Programa de Mobilizações Nacionais, que promove ações presenciais de conscientização em saúde, segurança e prevenção de acidentes em locais estratégicos onde os profissionais do setor atuam. Essas mobilizações reúnem orientações, blitze educativas, palestras e atendimentos gratuitos de saúde em diversas regiões do país, com foco na promoção de práticas seguras no trabalho e nas estradas.

O acordo também potencializa o Programa de Prevenção de Acidentes, que engloba campanhas educativas para estimular atitudes seguras no trânsito e incorpora tecnologia, como experiências de realidade virtual para simulações de situações de risco, com o objetivo de conscientizar motoristas profissionais sobre os impactos de comportamentos imprudentes ao volante.

A parceria amplia o alcance das iniciativas ao unir a capilaridade do SEST SENAT, presente em todo o país, à atuação da PRF nas rodovias federais. Essa integração fortalece a comunicação com o público-alvo, potencializa os resultados das campanhas e contribui para a promoção da saúde, segurança no trânsito e proteção social dos motoristas profissionais.

 

Início das ações em 2026

A primeira agenda técnica da parceria ocorreu em 12 de janeiro e teve como foco a definição de datas e locais para a realização dos Comandos de Saúde.

Participaram da reunião, pelo Sistema Transporte, a gerente executiva de Negócios da CNT, Luciana Malamin; a coordenadora de Promoção Social do SEST SENAT, Lidiane Rodrigues; e o coordenador de Relacionamento Corporativo do SEST SENAT, João Paulo Barros. Pela PRF, estiveram presentes representantes das áreas de Prevenção de Sinistros, Direitos Humanos, Educação para o Trânsito e Fiscalização.

 

Fonte:  Agência CNT Transporte Atual

Radares com Inteligência Artificial passam a operar no Sistema Anchieta-Imigrantes em SP

Radares equipados com tecnologia de Inteligência Artificial e câmeras de alta definição já operam no Sistema Anchieta-Imigrantes, principal ligação entre a capital paulista e a Baixada Santista, como parte do sistema de fiscalização do trânsito no estado de São Paulo.

O novo método começou a ser implementado no início de 2026 e integra um conjunto de medidas voltadas ao reforço da segurança viária em um dos corredores rodoviários mais movimentados do país.

A medida ganha relevância especialmente em períodos de chuva e temporais, que costumam provocar instabilidade no tráfego e lentidão em diferentes pontos do sistema, como ocorreu na última segunda-feira (19/1).

 

Sistema de checagem de infrações e IA

O novo sistema permite identificar infrações como o uso de celular ao volante, a não utilização do cinto de segurança e o excesso de velocidade na estrada.

As imagens captadas são processadas por sistemas automatizados, capazes de analisar registros com alto grau de precisão, inclusive de veículos em movimento em velocidades elevadas.

 

Fiscalização passa por checagem humana e mira trechos críticos

De acordo com os órgãos responsáveis, os registros feitos pelos radares com tecnologia de Inteligência Artificial não geram autuações automáticas.

Todo o material coletado passa, obrigatoriamente, por análise de policiais rodoviários, que verificam cada ocorrência e validam a infração antes da aplicação de qualquer penalidade.

A adoção do sistema ocorre em pontos considerados estratégicos das rodovias paulistas, com atenção especial aos acessos à Baixada Santista, trechos que concentram grande volume de tráfego ao longo do ano.

A concessionária Ecovias informou que o monitoramento com câmeras inteligentes integra um conjunto de ações voltadas ao aumento da segurança viária, atuando como suporte à fiscalização tradicional.

Um dos principais focos da iniciativa é coibir o uso do celular durante a condução, comportamento apontado por especialistas como um dos fatores de maior risco no trânsito, por provocar distrações manuais, visuais e cognitivas do motorista.

A relação completa dos locais onde os radares estão instalados pode ser consultada nos canais oficiais do Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER-SP) e das concessionárias responsáveis pelos trechos monitorados.

 

Fonte: Gazeta de São Paulo

Comunicado APS: situação de CONTINGÊNCIA (Janeiro/2026)

1) 08/01/2026, das 13h às 19h20

Motivo: Obras na Avenida Eng. Augusto Barata, saída da Alemoa, sentido São Paulo.

Terminais em Contingência: Todos os terminais de contêineres.

 

2) 21/01/2026, das 13h às 15h45

Motivo: Excesso de veículos na SP150 Anchieta

Terminais em Contingência: Todos os terminais da Margem Direita.

 

NAP. SUPOP. OPR.016

NORMA PARA ACESSO TERRESTRE DE CAMINHÕES AO PORTO DE SANTOS.

Cap VI. Art. 33. Em caso de situações de contingência devidamente caracterizadas pela APS, as programações e sequenciamentos poderão ser interrompidas por esta Autoridade. Todos os usuários afetados serão orientados sobre as medidas cabíveis necessárias para a manutenção do fluxo de transporte e das operações em curso.

FONTE: Autoridade Portuária de Santos

Frete mínimo atualizado: ANTT conclui revisão técnica que alinha custo real, segurança jurídica e transparência no transporte de cargas

Quanto custa, de fato, colocar um caminhão na estrada? Combustível, manutenção, pneus, pedágio, desgaste do veículo, distância, tipo de carga. A resposta a essa pergunta é o coração da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas — e foi exatamente sobre isso que a Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT debruçou-se ao concluir a revisão da Resolução nº 5.867/2020. O diretor da ANTT, Lucas Asfor, é o relator do processo.

Com a aprovação do Relatório Final da Audiência Pública nº 08/2025, aprovado nesta segunda-feira (19/1) durante a 1024ª Reunião de Diretoria Colegiada (ReDir), a primeira do ano, a Agência encerra um processo técnico, participativo e transparente que atualiza a metodologia e os coeficientes usados no cálculo do frete mínimo por quilômetro rodado, conforme previsto na Lei nº 13.703/2018. O foco é direto: valores mais próximos da realidade do transporte, menos conflito nas contratações e mais previsibilidade para quem vive da estrada e para quem depende dela.

O piso mínimo do frete não é um número abstrato. Ele influencia a renda do caminhoneiro, o planejamento das transportadoras, a logística das empresas e, no fim da cadeia, o preço que chega ao consumidor. Quando esse valor não acompanha os custos reais da operação, o desequilíbrio se espalha: insegurança jurídica, disputas comerciais e pressão sobre quem está na ponta.

A revisão conduzida pela ANTT atualiza parâmetros técnicos justamente para reduzir essas distorções. O resultado é uma base regulatória mais clara, com critérios compreensíveis e alinhados à dinâmica atual do transporte rodoviário de cargas.

 

Escuta ativa e participação efetiva

O processo foi construído com ampla participação social. A Audiência Pública permaneceu aberta por 30 dias e utilizou diferentes canais de diálogo: sistema ParticipANTT, e-mail, peticionamento eletrônico, atendimento presencial e sessão pública híbrida, realizada na sede da ANTT, em Brasília, com transmissão ao vivo.

Foram registradas 196 contribuições formais, que se desdobraram em 381 proposições técnicas efetivamente analisadas. Todas as manifestações — acolhidas, parcialmente acolhidas ou não acolhidas — estão disponíveis no processo, acompanhadas de justificativas técnicas, permitindo que qualquer cidadão entenda como e por que cada decisão foi tomada.

 

O que muda na prática

A resolução revisada mantém a estrutura legal já conhecida pelo setor, mas refina a metodologia e atualiza os coeficientes de cálculo, tornando o piso mínimo mais aderente aos custos operacionais reais do transporte rodoviário.

Isso significa mais clareza nas negociações de frete, redução de conflitos contratuais, maior segurança jurídica para transportadores e contratantes, além de atualização periódica, conforme determina a lei.

A nova norma deverá entrar em vigor dia 20 de janeiro de 2026, data prevista para a publicação semestral dos pisos mínimos, com validade para o respectivo período.

 

Regulação que explica, não impõe

Com a conclusão da Audiência Pública nº 08/2025, a ANTT reforça um modelo de regulação que prioriza informação clara, participação social e decisões técnicas bem fundamentadas. Em um setor essencial para o abastecimento do país, a previsibilidade é tão importante quanto o diálogo — e a atualização do piso mínimo do frete responde exatamente a essa necessidade.

“Essa revisão busca, além de ajustar números, rever e organizar expectativas, reduzir ruídos e dar estabilidade a um mercado que move o Brasil todos os dias, de ponta a ponta das rodovias”, disse o superintendente de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas (SUROC), Amaral Filho.

Confira o documento completo abaixo:

RESOLUÇÃO ANTT Nº 6.076, DE 19 DE JANEIRO DE 2026

 

Fonte: ANTT

44,6% das transportadoras de cargas têm vagas abertas para motoristas

Monitoramento da CNT (Confederação Nacional do Transporte) acerca do déficit de motoristas em cada segmento aponta que, no transporte de cargas, 44,6% das empresas têm vaga aberta para motoristas. Em transporte urbano de passageiros, o número vai a 50,6% das companhias. No segmento de passageiros rodoviários, o patamar chega a 55,6% das empresas com vagas abertas.

Para a entidade, a escassez de motoristas no Brasil resulta de uma combinação de fatores estruturais e conjunturais: alta responsabilidade; desafios diários no trânsito; condições adversas de trabalho, o que reduz sua atratividade, e a necessidade de qualificações específicas, como a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) nas categorias D ou E e cursos especializados.

Em relação à CNH, a avaliação do governo é que mudanças implementadas recentemente pelo Ministério dos Transportes – que entre outros pontos acabam com a exigência de aulas em autoescolas – podem ajudar em parte na formação de novos motoristas de ônibus e caminhão, com redução de custos. A resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) que moderniza o processo de obtenção da carteira também prevê, por exemplo, a oferta de custos para caminheiros pelo Sest/Senat.

Os problemas relatados pelo setor produtivo, contudo, são mais profundos. Segundo o diagnóstico do PNL (Plano Nacional de Logística) 2050, a insuficiência de motoristas está associada à remuneração relativa, às condições de trabalho, à rotatividade elevada e à imagem negativa da ocupação, fatores estruturais, e não apenas reflexo de um ciclo conjuntural do mercado de trabalho.

“Ajustes na legislação podem ampliar o acesso de novos profissionais ao mercado. Por isso, defendemos iniciativas como a do Ministério dos Transportes, que buscam reduzir o custo da obtenção da CNH por meio do fim da obrigatoriedade das autoescolas, sem, contudo, desconsiderar a questão da segurança, que deverá ser mantida com a continuidade da exigência dos testes teóricos e práticos para a obtenção da CNH”, avalia a CNT.

 

Fonte: Agência Infra

Índice de Equidade do TRC

Como está a participação das mulheres na sua empresa?

Convidamos as empresas de transporte rodoviário de cargas a participarem do Índice de Equidade no TRC, uma iniciativa do Movimento Vez & Voz, em parceria com o IPTC (Instituto Paulista do Transporte de Cargas) e SINDISAN.

Este indicador foi desenvolvido para avaliar o compromisso das empresas com o avanço, inclusão e retenção de mulheres no setor. O preenchimento deste questionário é de extrema importância para a construção de um setor mais diverso e inclusivo.

Garantimos que todas as informações fornecidas serão tratadas com total confidencialidade, em total conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

Clique e responda a pesquisa.

Em agradecimento à sua participação, após a conclusão do estudo, você receberá um relatório com os resultados individuais da sua empresa para que possa identificar os pontos nos quais vocês estão no caminho certo e aqueles necessários para melhorar em relação à participação das mulheres. 

Contamos com a sua participação para seguirmos nesta jornada de transformação do setor de transporte rodoviário de cargas.

 

Fonte: Movimento Vez & Voz

Caminhões brasileiros podem emitir até 35% menos CO₂ frente aos europeus

Um trabalho de formatura desenvolvido na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) adiciona novos elementos ao debate sobre descarbonização do transporte rodoviário. Segundo o estudo, caminhões que operam no Brasil podem alcançar desempenho ambiental superior ao de modelos europeus quando a análise considera as emissões de CO₂ por carga transportada, e não apenas o consumo absoluto de combustível.

A pesquisa, conduzida pelo engenheiro mecânico Eduardo Eisenbach de Oliveira Fortes, indica que veículos pesados em operação no País emitem até 35% menos CO₂ por tonelada-quilômetro do que caminhões equivalentes que circulam na Europa. Dessa forma, o trabalho sugere que a logística brasileira, marcada por alta capacidade de carga, pode representar uma vantagem ambiental relevante.

 

Simulação europeia adaptada à realidade brasileira

Para chegar a esse resultado, Fortes aplicou de forma pioneira no Brasil a ferramenta VECTO (Vehicle Energy Consumption Calculation Tool), utilizada obrigatoriamente na União Europeia para certificar consumo energético e emissões de caminhões. No entanto, em vez de replicar o modelo europeu, o pesquisador adaptou os parâmetros do simulador às condições nacionais.

Assim, o estudo incorporou rotas longas, topografia mais severa e composições veiculares com até 74 toneladas, realidade bastante distinta do limite europeu de 40 toneladas. Além disso, Fortes comparou caminhões padrão 6×4 operando em rotas típicas da Europa com o corredor logístico Campo Grande (MS) ao Porto de Paranaguá (PR), eixo estratégico para o escoamento da produção de grãos.

“O setor de transporte de cargas responde por níveis relevantes de emissão de CO₂. Como o modal rodoviário movimenta mais de 60% das cargas no Brasil, precisamos de métricas mais precisas e aderentes à nossa realidade”, explica o autor.

 

Capacidade de carga como fator-chave

Os resultados da simulação mostram que, embora o caminhão brasileiro consuma mais combustível em termos absolutos, devido ao maior peso total, a eficiência cresce quando o consumo se dilui pela quantidade de mercadoria transportada. Enquanto o caminhão padrão europeu Euro VI emite 29,0 gCO₂/ton·km, o modelo brasileiro analisado alcança 18,8 gCO₂/ton·km.

Nesse contexto, o estudo identifica a carga transportada como o principal diferencial ambiental, superando até mesmo a influência da topografia. “Mesmo com tecnologias veiculares por vezes defasadas, consequência de uma frota envelhecida, a escala de transporte no Brasil compensa ambientalmente quando avaliamos a emissão por unidade de carga”, afirma Fortes.

 

Rigor técnico e uso de dados reais

Para assegurar consistência metodológica, o pesquisador utilizou dados reais de repositórios oficiais do VECTO, além da legislação brasileira para caracterizar os veículos padrão do Brasil e da Europa. Além disso, para mapear uma rota de mais de mil quilômetros, Fortes combinou informações reais com Inteligência Artificial integrada ao Google Maps, a fim de identificar limites de velocidade ao longo do trajeto.

Posteriormente, algoritmos desenvolvidos em Python processaram mais de 100 mil pontos de dados, o que elevou o nível de detalhamento da simulação. Dessa maneira, o trabalho conseguiu refletir com maior fidelidade as condições operacionais do transporte rodoviário nacional.

Para o professor Marcelo Augusto Leal Alves, coordenador do Centro de Engenharia Automotiva da Poli-USP e orientador do projeto, o estudo preenche uma lacuna importante. “No Brasil, onde o transporte rodoviário domina o escoamento de cargas, a avaliação das emissões de CO₂ de caminhões é estratégica. Como o País não dispõe de uma ferramenta equivalente ao VECTO, pesquisas como essa ganham ainda mais relevância”, destaca.

 

Desafios climáticos e frota envelhecida

Embora os resultados indiquem eficiência relativa elevada, o estudo também dialoga com desafios estruturais do setor. O Brasil assumiu, no âmbito do Acordo de Paris, metas de redução de emissões de gases de efeito estufa. No transporte rodoviário, os caminhões respondem por cerca de 42% das emissões do segmento, segundo o Observatório do Clima.

Além disso, a idade média da frota brasileira, próxima de 12 anos, compromete a eficiência energética e reforça a necessidade de renovação tecnológica, conforme dados do Anuário CNT do Transporte. Ainda assim, o trabalho da Poli-USP demonstra que a forma de medir as emissões pode alterar significativamente a percepção sobre sustentabilidade no setor.

Ao considerar a emissão por carga efetivamente transportada, a pesquisa sugere que o Brasil pode contribuir de maneira mais eficiente para as metas climáticas do que indicam análises baseadas apenas em padrões europeus. Nesse sentido, o estudo abre espaço para um debate mais técnico e ajustado à realidade do transporte pesado nacional.

 

Fonte: Transporte Mundial

Governo lança oficialmente o Move Brasil, programa para renovar a frota de caminhões

O governo federal lançou oficialmente nesta quinta-feira (8) o programa Move Brasil para a renovação da frota brasileira de caminhões e à redução de emissões no transporte rodoviário de cargas. A iniciativa, apresentada pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, prevê a oferta de R$ 10 bilhões em linhas de crédito, operadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para a aquisição de veículos novos e seminovos fabricados no país. Do total de recursos, R$ 1 bilhão será reservado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperativados, segmento que concentra parte relevante da frota mais antiga em circulação no Brasil. O objetivo do programa é estimular a eficiência logística, aumentar a segurança nas rodovias e acelerar a substituição de caminhões com mais de duas décadas de uso.

“Isso é importante para o meio ambiente, para a saúde pública e para a economia, porque retira de circulação veículos antigos que poluem mais, coloca caminhões novos e mais seguros nas estradas e ajuda a preservar empregos, além de estimular a indústria e o comércio nacional”, afirmou Alckmin durante visita à concessionária Nasa Caminhões e Ônibus, em Brasília, acompanhado do presidente e CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes. As bases do Move Brasil foram estabelecidas por medida provisória publicada em dezembro, que autorizou a destinação de recursos do Tesouro Nacional para linhas de crédito de renovação da frota. Em seguida, o MDIC definiu, por portaria, os critérios de conteúdo local, sustentabilidade e reciclagem dos veículos financiados. Coube ao Conselho Monetário Nacional (CMN) fixar as condições financeiras das operações.

 

Limite de R$ 50 milhões por beneficiário

Pelas regras do programa, o limite de financiamento será de até R$ 50 milhões por beneficiário, com prazo máximo de cinco anos e carência de até seis meses. As taxas de juros anuais variam entre 13% e 14%, conforme a classificação de risco do tomador, já incluídos custos financeiros e spread bancário. As operações poderão contar com cobertura do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que assegura garantias de até 80% do valor financiado, além da possibilidade de inclusão de seguro do bem e seguro prestamista. O financiamento de caminhões novos será restrito a veículos de fabricação nacional, em linha com as diretrizes da Nova Indústria Brasil, política industrial do governo que busca fortalecer cadeias produtivas, ampliar o conteúdo tecnológico e gerar emprego e renda no país.

Para os seminovos, serão elegíveis apenas caminhões fabricados a partir de 2012, desde que comprovem conteúdo local e atendam aos critérios ambientais definidos pelo MDIC. Nesse caso, o acesso ao crédito ficará restrito a caminhoneiros autônomos e pessoas físicas vinculadas a cooperativas. Do ponto de vista ambiental, os caminhões novos deverão atender à fase P8 do Proconve, padrão mais recente de emissões, enquanto os seminovos precisarão cumprir, no mínimo, a fase P7. O programa também prevê condições mais vantajosas para quem entregar um caminhão antigo como contrapartida, exigindo a baixa definitiva do veículo no órgão de trânsito e seu encaminhamento para desmontagem.

 

Efeito limitado para o mercado de usados

A avaliação do mercado de veículos usados é de que os efeitos diretos do programa tendem a ser limitados. Para o presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), Everton Fernandes, embora o crédito subsidiado facilite a compra de caminhões novos, muitos caminhoneiros autônomos enfrentam dificuldades para comprovar renda e acessar financiamentos em bancos públicos. Segundo ele, o setor de usados pesados depende, em grande parte, da renovação periódica de frotas por grandes empresas. “Se o benefício for aproveitado pelas transportadoras com frota própria, a venda de caminhões seminovos e usados pode se beneficiar indiretamente, com maior oferta de veículos no mercado”, afirma Fernandes.

Na avaliação dos bancos das montadoras, o programa tem mérito, mas não enfrenta o problema estrutural do setor. Para Enilson Sales, presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), o Move Brasil ajuda a aliviar pressões de curto prazo, mas não resolve o impacto da elevada carga tributária sobre veículos pesados no Brasil. “O esforço do MDIC é louvável e vai aquecer o mercado temporariamente, mas é um enxuga-gelo. O problema começa com uma carga tributária de cerca de 44% sobre esses bens”, afirma. Segundo ele, enquanto o país mantiver um modelo de transporte fortemente baseado no modal rodoviário, sem revisão da tributação e maior integração com outros modais, iniciativas de crédito tendem a ter efeito limitado no tempo.

A indústria já começou a operar o programa. A rede de concessionárias da Volkswagen Caminhões e Ônibus, por exemplo, passou a oferecer o financiamento do Move Brasil para caminhões novos e seminovos elegíveis, com prazos de até 60 meses, carência de até seis meses e possibilidade de financiamento integral do bem. Segundo a montadora, condições mais atrativas estão disponíveis para clientes que entregarem veículos com mais de 20 anos ou optarem por modelos com menor impacto ambiental, como os movidos a biometano ou eletricidade.

 

Fonte: Transporte Moderno